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Fernando Haddad, Brazil's finance minister, during an event at the annual meetings of the International Monetary Fund (IMF) and World Bank in Washington, DC, US, on Wednesday, April 17, 2024. The International Monetary Fund inched up its expectations for global economic growth this year, citing strength in the US and some emerging markets, while warning the outlook remains cautious amid persistent inflation and geopolitical risks. Photographer: Samuel Corum/Bloomberg via Getty Images

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Haddad diz que o Brasil está disponível opções de políticas econômicas diante do impacto da guerra no Irã.

O ministro da Fazenda do Brasil, Fernando Haddad, disse na terça-feira que o governo está acompanhando de perto as consequências econômicas da guerra no Irã, particularmente seu efeito sobre os preços do petróleo, e apresentará ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma gama de respostas políticas. “Não podemos correr o risco de tomar decisões precipitadas. Temos que observar, verificar como as coisas se desenvolvem e estabelecer planos”, disse Haddad a jornalistas em 10 de março.

O conflito, que começou com ataques dos EUA e Israel ao Irã em 28 de fevereiro, fez os preços do petróleo bruto dispararem. Haddad demonstrou que o petróleo oscilou de US$ 70 a US$ 100 por barril e voltou para US$ 85 em aproximadamente uma semana, comparando a volatilidade ao pânico em torno das ameaças tarifárias dos EUA em 2025. No segundo fim de semana da guerra, o petróleo Brent havia subido ainda mais, com relatos de queda de preços acima de US$ 90.

Corte na Taxa em Dúvida

O choque do petróleo complicou o que se esperava ser o início de um aguardado ciclo de flexibilização monetária. O Banco Central do Brasil manteve sua taxa básica Selic em 15% — a mais alta desde meados de 2006 — por reuniões consecutivas até janeiro e sinalizou claramente que começaria a cortar as taxas em sua reunião de 17 a 18 de março.

Antes do conflito, os economistas foram divididos entre uma redução de 25 e 50 pontos-base. A guerra mudou o equilíbrio. Os mercados futuros no início de março mostraram aproximadamente 54% de probabilidade de um corte menor de 25 pontos-base, contra 46% para o movimento maior, segundo O Povo. O Secretário do Tesouro Rogério Ceron disse à Reuters em 2 de março que, embora não espere que o Banco Central abandone seus planos de março, todo o ciclo de flexibilização poderia ser mais curto se o conflito se prolongasse e mantivesse o petróleo elevado. Haddad adotou um tom mais moderado, dizendo que o Banco Central “é independente, tanto do governo quanto do mercado. Ele avaliará os dados e decidirá a dose de atenção” da política monetária.

Aberto nos Fertilizantes e Combustíveis

A ameaça econômica mais ampla se estende muito além dos postos de combustível. A Petrobras até agora resistiu ao aumento dos preços domésticos dos combustíveis, apesar da crescente defasagem em relação aos preços internacionais de referência. Segundo a Bloomberg, o estatal estava vendendo diesel e gasolina por valores bem abaixo da paridade com os preços globais em 9 de março. Mas a empresa começou a rejeitar pedidos de distribuidoras por volumes extras de diesel à medida que a defasagem se tornou insustentável, informou a Reuters.

Para a potência agrícola brasileira, uma interrupção no fornecimento de fertilizantes pode ser o risco mais consequente. O Brasil importa toda a sua uréia, e aproximadamente 41% desses embarques — quase 3 milhões de análises em 2025 — transitaram pelo Estreito de Ormuz, segundo dados da consultoria Agrinvest citados pela Reuters. Somente o Irã revelou cerca de 17% da uréia brasileira. Com os produtores iranianos agora fora de operação e os vendedores do Oriente Médio retirando suas listas de preços, os preços da uréia saltaram US$ 32 por tonelada na primeira semana do conflito. A Arábia Saudita elevou seu preço de referência para US$ 450 por tonelada, ante US$ 402.

Se as interrupções persistirem até a temporada de plantio de setembro no Brasil, os analistas alertam que as consequências podem repercutir nos preços dos alimentos. “Os preços internacionais mais altos da uréia aumentaram os custos de produção em toda a agricultura brasileira, eventualmente elevando os preços tanto dos alimentos frescos quanto dos processados”, disse Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos, à Reuters.

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