Gasolina nos EUA sobe 14% em uma semana com guerra no Irã.

A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, iniciada em 28 de fevereiro de 2026, provocou o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz e desencadeou a maior crise energética global desde a invasão russa da Ucrânia. O preço do petróleo Brent subiu mais de 30% em uma semana, ultrapassando US$ 92 o barril em 6 de março, enquanto o preço médio da gasolina nos Estados Unidos saltou 14% em sete dias, alcançando US$ 3,41 por galão, segundo a AAA.
O Estreito sob cerco
O Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo, está praticamente paralisado desde o início do conflito. Dados de rastreamento marítimo indicam que apenas cinco navios cruzaram a passagem em 4 de março, contra uma média de 24 por dia registrada desde janeiro. O brigadeiro-general Ebrahim Jabbari, da Guarda Revolucionária Iraniana, declarou que o estreito estava “fechado” e ameaçou “incendiar” qualquer embarcação que tentasse atravessá-lo.
Pelo menos oito navios foram danificados por drones e projéteis na primeira semana do conflito, segundo a Reuters. Seguradoras marítimas retiraram a cobertura para a região, e o tráfego caiu 80% já no primeiro domingo após o início das hostilidades, segundo a Lloyd’s List Intelligence. A QatarEnergy suspendeu a produção de gás natural liquefeito após ataques a suas instalações em Ras Laffan, e a Saudi Aramco interrompeu as operações na refinaria de Ras Tanura, que processa cerca de 550 mil barris por dia.
Impacto econômico e cenários futuros
Analistas do JPMorgan Chase alertaram que, caso o estreito permaneça bloqueado, o Iraque e o Kuwait podem ser forçados a interromper a produção de petróleo em poucos dias, retirando até 3 milhões de barris diários do mercado. O Goldman Sachs estimou um prêmio de risco de aproximadamente US$ 14 por barril já embutido nos preços. Caso a interrupção se prolongue por semanas, o Brent pode ultrapassar os US$ 100 por barril, segundo analistas do JPMorgan e do Citi.
A China, que depende da região para quase 45% de suas importações de petróleo, iniciou negociações com Teerã para garantir passagem segura de navios chineses pelo estreito, segundo a Reuters. Na Ásia, onde 60% do petróleo importado vem do Oriente Médio, filas em postos de combustível já se formam na Coreia do Sul, e o Japão registrou alta de mais de um terço nos contratos futuros de energia.
Diplomacia estagnada
Na manhã deste domingo, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, rejeitou apelos por um cessar-fogo em entrevista ao programa “Meet the Press” da NBC. O presidente Donald Trump afirmou, em publicação no Truth Social na sexta-feira, que os EUA não aceitariam nada além de uma “rendição incondicional”. Com a diplomacia estagnada e o conflito entrando em sua segunda semana, o ministro de Energia do Catar, Saad Sherida al-Kaabi, resumiu a gravidade da situação: “Isso vai derrubar as economias do mundo”.
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