Comissão vota para quebrar sigilo financeiro de filho de Lula em meio a briga.

A comissão parlamentar mista de inquérito que investiga um esquema de fraude multibilionário na agência de previdência social do Brasil votou na quinta-feira para acessar os registros bancários e fiscais de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A sessão em Brasília descambou em empurrões, socos e bate-bocas entre parlamentares, expondo a crise política cada vez mais profunda envolvendo o escândalo do INSS.

A comissão, conhecida como CPMI do INSS, aprovou todas as 87 propostas na pauta do dia em uma única votação simbólica em bloco, incluindo o pedido de quebra de sigilo financeiro de Lulinha. Os parlamentares aliados do governo não conseguiram reunir a maioria necessária para bloquear a medida, obtendo apenas 14 dos 31 votos presentes — um a menos que os 15 necessários. O presidente da comissão, senador Carlos Viana do partido Podemos, disse que contou os votos contrários duas vezes e confirmou o resultado.
Tumulto no Plenário da Comissão
O anúncio do resultado da votação desencadeou um caos imediato. Parlamentares alinhados ao governo avançaram em direção à mesa diretora da comissão para protestar, resultando em um confronto físico que incluiu empurrões e socos, segundo múltiplos veículos brasileiros. A polícia legislativa e outros parlamentares intervieram para separar os envolvidos, e a sessão foi suspensa por aproximadamente 15 minutos antes de ser retomada.
Entre os envolvidos no confronto estavam o relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar, e os deputados governistas Paulo Pimenta e Rogério Correia, além dos parlamentares da oposição Evair de Melo e Luiz Lima. Pimenta posteriormente apresentou um pedido formal de anulação da votação, acusando Viana de “fraudar o resultado”, acusação que Viana rejeitou. Aliados do governo se reuniram subsequentemente com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para pressionar pela anulação, argumentando que houve erros na contagem dos votos.
A Investigação da Fraude e os Supostos Vínculos de Lulinha
A CPMI está investigando um esquema nacional de descontos não autorizados de benefícios de aposentadorias e pensões do INSS, descoberto pela “Operação Sem Desconto” da Polícia Federal, lançada pela primeira vez em abril de 2025. Os investigadores estimam que a fraude pode ter desviado até R$ 6,3 bilhões.
Lulinha entrou no foco da investigação depois que a Polícia Federal encontrou mensagens interceptadas no telefone de Antônio Carlos Camilo Antunes, apelidado de “Careca do INSS” e descrito como o principal operador do esquema. Nas mensagens, Antunes foi questionado sobre o destinatário de um pagamento de R$ 300 mil para uma empresa de propriedade da empresária Roberta Luchsinger e teria respondido que era para “o filho do cara” — o que os investigadores acreditam se referir a Lulinha. Cinco pagamentos desse tipo, totalizando R$ 1,5 milhão, foram identificados fluindo de uma empresa ligada a Antunes para a empresa de Luchsinger.
O relator Gaspar, que redigiu a moção, argumentou que a quebra de sigilo financeiro era um “imperativo técnico” para determinar se Lulinha atuou como um “sócio oculto” de Antunes.
Em um desdobramento noticiado pela CNN Brasil, o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça já havia autorizado a Polícia Federal a acessar os registros bancários, fiscais e de telecomunicações de Lulinha em janeiro — antes da votação da comissão parlamentar — em uma decisão que permanece sob sigilo. A equipe de defesa de Lulinha divulgou uma nota em 25 de fevereiro negando qualquer ligação com a fraude do INSS, com o advogado Guilherme Suguimori Santos dizendo que seu cliente “não tem nenhuma relação com as fraudes contra os beneficiários do INSS”. O próprio presidente Lula abordou o assunto no início deste mês, dizendo que havia dito ao filho: “Só você sabe a verdade. Se você tem algo a ver com isso, vai pagar o preço, mas se não tem, se defenda”.
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