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Brasil discute cotas por empresa para exportar carne à China.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) propôs formalmente à Câmara de Comércio Exterior (Camex) a criação de um sistema de controle para as exportações de carne bovina brasileira à China. A medida visa evitar uma corrida desordenada dos frigoríficos ao mercado chinês e possíveis distorções no abastecimento interno e nos preços.

A proposta foi revelada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luis Rua, em entrevista à Reuters nesta quarta-feira (11). Segundo o secretário, o governo estuda com o setor privado alternativas para “evitar uma corrida desenfreada nos embarques”. O tema pode ser discutido nesta quinta-feira (12) pelo Comitê Executivo de Gestão (Gecex) da Camex.

​Medidas de salvaguarda chinesas motivam ação do governo

A iniciativa surge como resposta às medidas de salvaguarda anunciadas pela China em dezembro de 2025, que entraram em vigor em 1º de janeiro deste ano. As novas regras estabelecem uma cota de 1,106 milhão de toneladas para o Brasil em 2026, com tarifa de 12% dentro do limite. Volumes que excederem esse patamar estão sujeitos a uma tarifa adicional de 55%.

O problema é que a cota chinesa é inferior ao histórico recente de exportações brasileiras. Em 2025, o Brasil embarcou mais de 1,6 milhão de toneladas de carne bovina in natura para o mercado chinês. Na prática, o país poderá deixar de exportar cerca de 500 mil toneladas ao principal destino da proteína brasileira.

Proposta prevê licenças e limites por empresa

Segundo ofício enviado à Camex na última sexta-feira (6), o Mapa alerta que a ausência de regulação estatal poderá provocar “forte desorganização dos fluxos comerciais, com impactos relevantes sobre toda a cadeia produtiva”. A pasta menciona ainda o risco de “colapso de preços e de emprego no setor” pecuário.

A proposta prevê a distribuição da cota entre os frigoríficos habilitados, com base no desempenho de cada empresa em 2025. O controle seria feito por meio de licenças de exportação no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), com bloqueio automático de embarques que excederem o volume autorizado.

Paulo Mustefaga, presidente da Associação Brasileira dos Frigoríficos (Abrafrigo), afirmou que o setor defende a divisão da cota entre as empresas, embora a forma de implementação não seja unanimidade entre os exportadores.

Uma incerteza adicional paira sobre cerca de 250 mil toneladas de carne em trânsito quando as salvaguardas entraram em vigor. Rua disse que a China ainda não respondeu se esses volumes serão contabilizados dentro da cota de 2026.

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