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Ministro brasileiro nega vínculos com banqueiro que ele está investigando

O Supremo Tribunal Federal do Brasil está avaliando se deve afastar o ministro Dias Toffoli da investigação do Banco Master após um relatório da Polícia Federal levantar questionamentos sobre possíveis conexões entre o ministro e o controlador do banco, Daniel Vorcaro. Toffoli emitiu uma negativa contundente na quinta-feira, afirmando que nunca recebeu pagamentos ou manteve qualquer relacionamento com o banqueiro preso.

O relatório de 180 páginas, entregue pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, na terça-feira, contém referências a Toffoli descobertas em dados extraídos do telefone celular de Vorcaro durante uma busca autorizada judicialmente, segundo a Reuters. O documento inclui menções a supostos pagamentos a uma empresa associada à família de Toffoli, bem como convites para eventos sociais.

Vínculos com Negócio Familiar Sob Investigação

No centro de investigação fica o balneário Tayayá, no estado do Paraná. Segundo o veículo de notícias brasileiro O Povo, uma empresa chamada Maridt, de propriedade dos dois irmãos de Toffoli, vendeu sua participação no resort para um fundo de investimento vinculado ao Banco Master entre 2021 e início de 2025. A Polícia Federal encontrou conversas entre Vorcaro e seu cunhado Fabiano Zettel — descrito como contador informal do banqueiro — discutindo assuntos relacionados ao resort e a pagamentos.

Em sua declaração na quinta-feira, Toffoli declarou a participação da família no resort, mas sustentou que o envolvimento de seus irmãos foi legítimo e totalmente declarado às autoridades fiscais. Ele afirmou que o inquérito sobre o Banco Master chegou ao seu gabinete em novembro de 2025, após a empresa Maridt já ter alienado sua participação.

“O Ministro nunca teve qualquer relação de amizade, muito menos de amizade próxima, com o investigado Daniel Vorcaro. Por fim, o Ministro esclarece que jamais recebeu qualquer quantia de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”, disse a declaração, segundo a Reuters.

Repercussões Políticas Mais Amplas

A controvérsia em torno do papel de Toffoli adiciona outra dimensão ao que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chamou de potencialmente “a maior fraude bancária” da história brasileira. O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, no mesmo dia em que a Polícia Federal prendeu Vorcaro quando ele supostamente tentava fugir para Dubai em seu jato particular. O colapso deixou mais de 40 bilhões de reais (aproximadamente US$ 7,6 bilhões) em passivos para cerca de 800 mil investidores.

A condução do caso por Toffoli já havia atraído críticas. Em dezembro, surgiram relatos de que ele havia viajado ao Peru para a final da Copa Libertadores a bordo de um jato particular pertencente a um advogado que representa um dos alvos da investigação. O ministro também impôs o mais alto nível de sigilo ao inquérito e inicialmente ordenou que as provas apreendidas fossem armazenadas no Supremo Tribunal Federal, e não na Polícia Federal.

Embora a Polícia Federal não tenha formalmente solicitado a recusa de Toffoli — observando que não possui legitimidade legal para fazê-lo — ela indicou que certos elementos justificavam um exame mais aprofundado. Fachin pediu que Toffoli respondesse formalmente às conclusões. Segundo a Bloomberg, o presidente do Supremo Tribunal Federal pode submeter a questão ao plenário da corte para decidir se Toffoli deve continuar supervisionando a investigação.

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