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PT quer rediscutir autonomia do BC após crise do Master.

O recém-empossado líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (SC), declarou que o escândalo do Banco Master evidencia a necessidade de alterar a lei que estabelece a autonomia do Banco Central. Segundo o parlamentar, a bancada petista pretende levar essa discussão ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em reunião prevista para a primeira semana de março.

“Tem que ter uma relativa autonomia do Banco Central. Não absoluta autonomia como é hoje”, afirmou Uczai em entrevista. O deputado critica o que chama de incompatibilidade entre a política monetária autônoma e a política fiscal aprovada democraticamente pelo Congresso.

Críticas à Gestão de Campos Neto

Para o líder petista, a crise do Master tem raízes na gestão de Roberto Campos Neto à frente do BC. “A partir do Campos Neto, a coisa é mais séria e grave. Quando ele flexibiliza a possibilidade de emissão de títulos ou de não fiscalização de determinados atores financeiros, dá no Banco Master”, declarou.

Reportagem do Estadão publicada em janeiro revelou que Campos Neto teria evitado intervenção no Master em pelo menos duas ocasiões em 2024, mesmo sabendo dos problemas de liquidez da instituição. A decisão de intervir só veio em novembro de 2025, já sob o comando de Gabriel Galípolo, que Uczai elogiou pela medida.

O Tribunal de Contas da União concluiu esta semana inspeção nos documentos do BC sobre a liquidação do Master. Um relatório técnico deve ser apresentado ao ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso, na próxima semana.

​CPI e Desdobramentos Políticos

Uczai defende a instalação de uma CPI para investigar Daniel Vorcaro, preso em novembro durante a Operação Compliance Zero, além do BRB, do governador Ibaneis Rocha (MDB) e de fundos de previdência que investiram no Master. Na Câmara, o deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) protocolou pedido de CPI com 201 assinaturas, aguardando leitura do presidente Hugo Motta.

O escândalo envolve fraudes estimadas em bilhões de reais, incluindo a venda de carteiras de crédito ao BRB por R$ 12,2 bilhões e a emissão de cerca de R$ 50 bilhões em CDBs sem liquidez comprovada. O Fundo Garantidor de Crédito deverá adiantar ao menos R$ 50 bilhões para ressarcir investidores.

Uczai minimiza preocupações de que mudanças na autonomia aumentem interferência política no BC. “Por isso que estou fazendo o uso de uma expressão aqui de autonomia relativa”, explicou o petista.

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