CEO da B3 prevê retomada de IPOs após seca de 4 anos.

O presidente da B3, Gilson Finkelsztain, afirmou nesta quinta-feira (5) que 2026 deve marcar o fim da maior seca de ofertas públicas iniciais de ações no Brasil desde a década de 1990. “Acho que o mercado reabre este ano”, disse o executivo em encontro com jornalistas, citando a perspectiva de queda da taxa Selic e o fluxo recorde de capital estrangeiro como principais catalisadores para a volta das aberturas de capital no país.
Desde setembro de 2021, quando a produtora de fertilizantes Vittia estreou na bolsa, nenhuma empresa brasileira realizou IPO no mercado local. A última janela de aberturas de capital entre 2020 e 2021 levou mais de 70 companhias à bolsa.
Fluxo estrangeiro recorde impulsiona otimismo
O principal motor da confiança de Finkelsztain é a entrada massiva de recursos externos. Em janeiro de 2026, o fluxo estrangeiro para a B3 atingiu R$ 26,47 bilhões, praticamente igualando o saldo total de 2025 em apenas um mês e estabelecendo o maior fluxo mensal desde o início da série histórica em 2022, segundo a consultoria Elos Ayta.
“Tem um vento bom aí chegando. E é um vento que vem muito mais de fora do que de dentro”, afirmou Finkelsztain. Segundo ele, o movimento reflete uma rotação global de carteiras, em parte motivada por incertezas geopolíticas relacionadas ao governo Donald Trump nos Estados Unidos. “Parece ser o início de um movimento que pode ser muito positivo para mercados emergentes, revertendo uma tendência de quase cinco anos em que os Estados Unidos absorveram todo o dinheiro marginal na indústria.”
O CEO destacou que há mais de 50 empresas com registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) prontas para vir a mercado. “Nunca foi um problema de oferta, mas de demanda”, explicou, apontando que juros elevados reduzem o apetite por renda variável.
Setores de infraestrutura devem liderar
Os primeiros IPOs, na visão de Finkelsztain, devem vir de empresas maduras do setor de infraestrutura, com destaque para saneamento e logística, seguidos por energia, concessões rodoviárias e farmacêutico.
O recente IPO do PicPay na Nasdaq, em 29 de janeiro, foi mencionado pelo executivo como “um prenúncio do que vem aí”. A fintech levantou US$ 434 milhões com precificação no topo da faixa indicativa. O Agibank também prepara abertura de capital na Bolsa de Nova York, com precificação prevista para 10 de fevereiro.
Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú, compartilhou visão semelhante em coletiva sobre os resultados do banco. “Se tiver oportunidade, vão ser casos muito específicos e pontuais. Talvez abra uma janela após a eleição, com um pouco de previsibilidade”, afirmou.
Finkelsztain ponderou que 2026 é ano eleitoral e que incertezas fiscais ainda persistem. A expectativa, segundo o último boletim Focus, é que a Selic encerre o ano em 12,25%, após o Banco Central iniciar os cortes em março.
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