Finanças

Finanças

Inflação do Brasil cai para 4,26%, abrindo caminho para cortes de juros.

O Brasil encerrou 2025 com a inflação solidamente dentro da meta do banco central, oferecendo o sinal mais claro até agora de que as autoridades monetárias podem em breve começar a reverter uma das políticas monetárias mais restritivas do mundo após quase um ano mantendo os custos de empréstimos em um patamar recorde em quase duas décadas.

Os preços ao consumidor subiram 4,26% nos 12 meses até dezembro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística na sexta-feira. O número ficou em linha com as previsões dos analistas e marcou a menor taxa anual desde agosto de 2024. Na base mensal, a inflação acelerou para 0,33%, acima dos 0,18% de novembro.​

A leitura coloca a inflação confortavelmente dentro da banda de tolerância do Banco Central do Brasil de 1,5% a 4,5%, com meta central de 3%. Este é o segundo mês consecutivo abaixo do limite superior de 4,5%, após a leitura de 4,46% em novembro. A moderação reflete o impacto da política monetária restritiva, com a taxa Selic mantida em 15% desde julho—o nível mais alto desde 2006.​

Pressões Divergentes de Preços

Os dados anuais revelaram contrastes acentuados entre os setores. Os preços de alimentos, que haviam impulsionado grande parte da alta da inflação brasileira nos anos anteriores, subiram apenas 1,5% no ano completo, de acordo com projeções do Banco BMG. A inflação de serviços, no entanto, permaneceu elevada em 6,0%, atribuída principalmente ao mercado de trabalho aquecido do Brasil. A taxa de desemprego caiu para o menor nível desde o início da série histórica em 2012, mesmo com outros indicadores sugerindo fraqueza econômica.​

O banco central manteve uma postura rígida apesar da melhora no cenário inflacionário. Em sua reunião de dezembro, o comitê de política monetária votou por unanimidade para manter as taxas estáveis pela quarta vez consecutiva, afirmando que as condições exigem manter os custos de empréstimos “por um período muito prolongado”. O comitê não ofereceu orientação explícita sobre o momento para cortes.​

Flexibilização esperada para março

As expectativas do mercado se consolidaram em torno de um início de redução das taxas de juros em março, após a segunda reunião do banco central em 2026. A próxima decisão de política monetária está programada para 27-28 de janeiro. Uma pesquisa separada da Reuters no mês passado constatou que a maioria dos economistas antecipa que os formuladores de política manterão as taxas estáveis mais uma vez antes de iniciar os cortes.​

As expectativas de inflação permanecem acima da meta, com a pesquisa Focus semanal do banco central mostrando que economistas projetam uma taxa de 4,06% até o final de 2026. O presidente do banco central, Gabriel Galipolo, enfatizou que tanto as expectativas quanto os números reais, embora estejam melhorando, permanecem acima da meta de 3%. Os dados chegam enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se prepara para a campanha de reeleição de outubro de 2026, com o governo defendendo custos de empréstimos mais baixos.​

#juros #bancocentral #focus #inflação #bmg

Comments

No comments yet. Why don’t you start the discussion?

    Deixe um comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *