O diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri, afirmou nesta segunda-feira (13) que a tarifa de energia da hidrelétrica será reduzida a partir de janeiro de 2027 e que as negociações com o Paraguai avançam para unificar o valor cobrado dos dois países. A declaração foi feita durante visita de jornalistas à sede da usina, em Foz do Iguaçu (PR).
“A única coisa que eu posso afirmar, com toda autoridade, é que o preço será menor. Isso está dado. Não há mais o que conversar sobre isso”, disse Verri. O executivo acrescentou que, a partir de 2027, Itaipu será “sem a menor sombra de dúvida” a fonte com a menor tarifa de energia do país.
Meta de US$ 10 a US$ 12 por kW
O governo brasileiro mantém como objetivo alcançar uma tarifa entre US$ 10 e US$ 12 por quilowatt/mês, patamar que equivaleria ao custo operacional da usina, conforme ata assinada entre os dois países em abril de 2024. Hoje, o Custo Unitário dos Serviços de Eletricidade (Cuse) está fixado em US$ 19,28/kW por mês para o triênio 2024-2026, mas a tarifa efetiva para o consumidor brasileiro é de US$ 16,71/kW, viabilizada por aportes anuais de cerca de US$ 285 milhões feitos pela própria Itaipu.
A diferença entre os valores pagos por brasileiros e paraguaios é justamente um dos pontos que a nova modelagem pretende eliminar. Verri explicou que as conversas partem do patamar de US$ 16,71/kW e que o objetivo é chegar a um preço único que dispense a necessidade do chamado “bônus de Itaipu”, ressarcimento autorizado pela Aneel quando há saldo positivo na conta da usina.
Negociações do Anexo C e obstáculos
Além da definição tarifária para 2027, Verri indicou haver “grandes condições” de concluir ainda em 2026 a revisão do Anexo C do Tratado de Itaipu, documento que define as bases financeiras da relação binacional. Entre os pontos em discussão está o fim da obrigatoriedade de venda de excedentes de energia ao país sócio, o que permitiria ao Paraguai comercializar sua parcela no mercado livre.
As negociações, porém, não são simples. No início do ano, o presidente paraguaio Santiago Peña declarou publicamente que não pretendia aceitar uma redução na tarifa, alegando “dívidas históricas” e a necessidade de garantir recursos para investimentos em infraestrutura, saúde e educação. Os termos finais dependem de acordos entre chanceleres e ministros de Minas e Energia dos dois lados, e a revisão do Anexo C ainda precisará ser aprovada pelos parlamentos de ambos os países. A expectativa é que o anúncio oficial do novo preço ocorra até dezembro.
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