O presidente Donald Trump escalou sua longa disputa com a OTAN em uma publicação noturna no Truth Social na terça-feira, declarando que a aliança “não esteve lá por nós e não estará lá por nós no futuro”. A ofensiva marca mais uma investida contra aliados europeus que se recusaram a apoiar operações militares americanas ligadas ao conflito em curso com o Irã.
Recusa ao Bloqueio Aprofunda o Racha
As declarações surgem após uma semana de tensões crescentes, depois que aliados da OTAN, incluindo Grã-Bretanha e França, recusaram-se a aderir ao plano de Trump de bloquear os portos iranianos pelo Estreito de Ormuz. O primeiro-ministro britânico Keir Starmer disse à BBC que o Reino Unido não seria “arrastado para a guerra”, enquanto a França afirmou que buscaria esforços diplomáticos para restabelecer a navegação pelo estreito, que normalmente transporta cerca de um quinto do fornecimento global de petróleo.
As forças militares dos EUA começaram a impor o bloqueio em 14 de abril, após o colapso das negociações de paz entre Washington e Teerã no fim de semana, em Islamabad. O vice-presidente JD Vance, que liderava a delegação americana, confirmou o fracasso das negociações. Trump classificou o controle iraniano sobre o estreito como “extorsão” e advertiu que “qualquer iraniano que atirar contra nós ou contra embarcações pacíficas será MANDADO PARA O INFERNO”.
Europa Elabora Planos de Contingência
Nos bastidores, autoridades europeias estão acelerando o que alguns chamaram informalmente de “OTAN Europeia” — um arcabouço de contingência desenvolvido para garantir que o continente consiga se defender mesmo que os Estados Unidos reduzam seu compromisso com a aliança, de acordo com o The Wall Street Journal. O plano foca em colocar mais europeus em cargos de comando e controle e em complementar os ativos militares americanos com os europeus. A Alemanha, historicamente resistente a uma abordagem autônoma, agora apoia o esforço.
O Secretário-Geral da OTAN, Mark Rutte, que se reuniu com Trump na Casa Branca em 8 de abril, tentou administrar as consequências. Após o encontro, Rutte afirmou que a aliança se tornaria “mais liderada pelos europeus” e insistiu que as nações europeias estavam “se desdobrando” para encontrar formas de ajudar a manter o estreito aberto. A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, fez uma avaliação mais direta da visão de Trump, afirmando que os membros da OTAN haviam “virado as costas para o povo americano” e que a aliança havia sido “testada e falhou”.
Uma Aliança sob Tensão
A retórica de Trump tem se tornado cada vez mais agressiva desde que os EUA e Israel lançaram ataques aéreos contra o Irã em 28 de fevereiro. Ele disse à Reuters no início de abril que estava “absolutamente” considerando se retirar da OTAN, e o The Wall Street Journal informou que ele avaliava planos para realocar tropas americanas de bases em países que não apoiaram o esforço de guerra. Os EUA mantêm aproximadamente 84.000 soldados em toda a Europa.
O presidente francês Emmanuel Macron alertou, durante um discurso em abril em Seul, que as repetidas ameaças de retirada de Trump estavam corroendo a aliança por dentro. “Quando você semeia incerteza diária sobre seu compromisso, você mina sua própria fundação”, disse Macron.
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