Trump estende ultimato ao Irã enquanto racionamento de combustível se espalha pelo mundo.

Trump estende ultimato ao Irã enquanto racionamento de combustível se espalha pelo mundo.

Mais de cinco semanas depois que o Irã efetivamente fechou o Estreito de Ormuz, o ponto de estrangulamento de petróleo mais crítico do mundo, governos de todos os continentes estão se esforçando para gerenciar a escassez de combustível por meio de racionamento emergencial, cancelamentos de voos e a maior liberação coordenada de reservas estratégicas de petróleo da história — tudo isso enquanto o mais recente ultimato do presidente Donald Trump a Teerã se aproxima.

Um Choque de Oferta Sem Precedentes na Era Moderna

A crise remonta a 28 de fevereiro, quando ataques aéreos dos EUA e de Israel atingiram o Irã no que ficou conhecido como Operação Fúria Épica. O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã retaliou bloqueando o transporte marítimo comercial através do estreito, que normalmente transporta cerca de 20% do fornecimento diário de petróleo mundial. A Agência Internacional de Energia classificou como a “maior interrupção de oferta na história do mercado global de petróleo”.

O petróleo Brent disparou da faixa de US$ 60–70 que prevaleceu durante 2025 para acima de US$ 112 por barril em 3 de abril, segundo a Fortune. O chefe da AIE, Fatih Birol, alertou em 1º de abril que o déficit em abril “dobrará o de março”, com combustível de aviação e diesel já criticamente escassos na Ásia e em breve na Europa. Analistas da Wood Mackenzie afirmaram que US$ 150 é cada vez mais provável se o estreito permanecer fechado durante o mês, com o Macquarie Group alertando que US$ 200 por barril “não está fora do campo das possibilidades”.

Racionamento, Aviões em Solo e Bombas Vazias

A resposta tem sido abrangente. Mianmar impôs restrições de rodízio de veículos com base em placas pares e ímpares. Bangladesh fechou suas universidades e introduziu racionamento de combustível para veículos. As Filipinas encerraram as atividades de repartições públicas às sextas-feiras, e o Egito determinou trabalho remoto semanal para funcionários do setor público. A Eslovênia se tornou o primeiro Estado-membro da UE a impor racionamento de combustível, limitando motoristas particulares a 50 litros por dia. Na Itália, restrições de combustível de aviação foram impostas em quatro aeroportos, incluindo Milão Linate e Bolonha, com previsão de racionamento pelo menos até 9 de abril.

As companhias aéreas estão entre as mais atingidas. O CEO da Ryanair, Michael O’Leary, disse à ITV News que a companhia pode cancelar de 5 a 10 por cento dos voos durante maio, junho e julho, com apenas alguns dias de aviso prévio dos fornecedores de combustível antes de as rotas serem suspensas. A Air New Zealand já cancelou aproximadamente 1.100 voos até o início de maio, afetando cerca de 44.000 passageiros. A United Airlines reduziu aproximadamente 5 por cento da capacidade planejada para o segundo e terceiro trimestres, enquanto companhias vietnamitas suspenderam rotas domésticas. Os preços do combustível de aviação nos EUA mais que dobraram até o final de março, saltando de cerca de US$ 2,17 para US$ 4,56 por galão, de acordo com o Argus U.S. Jet Fuel Index.

Brinkmanship Diplomático

No front diplomático, Trump publicou uma mensagem nas redes sociais recheada de palavrões no domingo, ameaçando destruir as usinas de energia e pontes do Irã, antes de aparentemente estender seu prazo para terça-feira à noite. Esta é a mais recente em uma série de ultimatos adiados — Trump primeiro estabeleceu um prazo no final de março, depois empurrou para 6 de abril e agora mudou novamente. O gabinete presidencial do Irã declarou que o estreito só será reaberto quando um “mecanismo de trânsitos” compensar Teerã pelos danos da guerra. Os EUA liberaram 172 milhões de barris da Reserva Estratégica de Petróleo como parte de um esforço mais amplo da IEA totalizando 400 milhões de barris, mas analistas do Goldman Sachs alertaram que até mesmo essa retirada histórica pode ser insuficiente para cobrir o déficit.

Como Birol da IEA colocou: “O racionamento de energia pode em breve se tornar uma realidade para muitos países”.

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