A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, que assumiu o cargo em 30 de março após a saída de Ibaneis Rocha, tem buscado publicamente apoio do governo federal para resgatar o Banco de Brasília (BRB), que enfrenta uma grave crise, mesmo depois que a principal autoridade federal de finanças de Brasília deixou claro na quinta-feira que não haverá resgate.
Governo Federal Rejeita Pedido de Resgate
Rogério Ceron, secretário-executivo do Ministério da Fazenda, afirmou em entrevista à CNN Brasil na quinta-feira que “não há discussão nem intenção do governo federal de intervir ou fornecer qualquer tipo de resgate ao BRB”, classificando a crise como “um assunto restrito ao governo do Distrito Federal”. Ceron acrescentou que a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é que o governo do DF tem capacidade de administrar a situação por conta própria.
Leão conversou por telefone na segunda-feira com o secretário do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, para discutir possíveis soluções para o banco, segundo comunicado do governo do DF. Ela sugeriu o envolvimento da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil em um plano de resgate, dizendo a repórteres que a Caixa “pode nos ajudar, quer ajudar, com fundos robustos”.
Diretores removidos em meio a investigação de fraude
Na quarta-feira, Leão ordenou a remoção de todos os funcionários do BRB citados em um relatório de auditoria técnica vinculado às negociações do banco com o Banco Master, a instituição no centro da crise. Uma auditoria independente identificou aproximadamente 30 diretores envolvidos na aprovação do que os investigadores suspeitam serem compras fraudulentas de carteiras de crédito de baixa qualidade no valor de mais de R$ 12 bilhões do Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro. O BRB confirmou a ordem do governador à CNN Brasil e informou que nomes adicionais sinalizados pela auditoria também seriam removidos.
O banco perdeu o prazo legal de 31 de março para publicar suas demonstrações financeiras de 2025, citando a necessidade de concluir uma auditoria forense vinculada à “Operação Compliance Zero” da Polícia Federal. As estimativas do rombo financeiro resultante variam de R$ 8 bilhões a até R$ 13 bilhões.
Estratégia de Capitalização Permanece Incerta
Antes de deixar o cargo, o ex-governador Ibaneis Rocha solicitou um empréstimo de aproximadamente R$ 4 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para reforçar o capital do BRB, oferecendo participações em empresas estatais do DF e imóveis públicos como garantia. O plano de resgate mais amplo prevê outros R$ 4 bilhões de um sindicato de bancos, além da criação de um fundo imobiliário utilizando terrenos públicos e da venda de ativos saudáveis.
Leão já alterou o plano, retirando uma área de proteção ambiental — a Gleba A da Serrinha do Paranoá — do pacote de garantias. Analistas alertam que uma liquidação do BRB forçaria o FGC a cobrir cerca de R$ 52 bilhões em depósitos, tornando o resgate muito mais barato que a alternativa.
#brb






