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Brasil e China são os mais beneficiados com a tarifa única de 15% de Trump.

A decisão do presidente Donald Trump de impor uma tarifa global uniforme de 15% após a invalidação de seu regime comercial pela Suprema Corte produziu um resultado irônico: os países que ele mirou de forma mais agressiva agora são os mais beneficiados, enquanto aliados tradicionais dos Estados Unidos enfrentam custos mais elevados.

Uma análise do Global Trade Alert, um monitor independente de política comercial, constatou que o Brasil terá uma maior redução média de tarifas, de 13,6 pontos percentuais, sob uma nova estrutura de alíquota única, seguida pela China com 7,1 pontos percentuais e Índia com 5,6 pontos percentuais. Enquanto isso, países que tiveram negociações negociadas de taxas detalhadas sob o sistema anterior agora estão em situação pior — o Reino Unido enfrenta o maior aumento, de 2,1 pontos percentuais, seguido pela Itália com 1,7 e Singapura com 1,1.

Um Cenário Comercial Embaralhado

A mudança decorre da decisão de sexta-feira da Suprema Corte por 6 a 3 votos de que Trump não tinha autoridade para importar tarifas sob a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional. Em poucas horas, Trump invocou a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974 para aplicar uma taxa de 10% sobre todas as importações, depois elevou-a para o máximo legal de 15% no sábado. As tarifas entram em vigor em 24 de fevereiro e duram 150 dias, a menos que o Congresso as estenda.

Sob o regime anterior, os países enfrentariam taxas extremamente diferentes. O Brasil foi atingido com tarifas de até 50% depois que Trump acusou o país de perseguir seu aliado, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A China pagou taxas que chegaram a 145%. Em contrapartida, o Reino Unido garantiu uma taxa relativamente favorável de 10%, e a UE e o Japão tiveram acordos negociados de 15% na maioria dos produtos.

Uma nova taxa uniforme elimina essas disparidades. Como o Financial Times observou, a tarifa global de 15% de Trump “beneficiará muito mais os países que ele criticou fortemente”. A Bloomberg informou que o Reino Unido “corre o risco de ser o maior perdedor” com as mudanças, tendo perdido a vantagem competitiva que seu acordo comercial forneceu anteriormente.

Futuro Incerto para Acordos Comerciais

Os fabricantes asiáticos que negociaram acordos bilaterais com Washington também deverão se beneficiar. O Vietnã, que enfrentaria uma tarifa recíproca de 20%, Tailândia com 19% e Malásia com 19% terão todas essas alíquotas elevadas pela taxa uniforme mais baixa. A Casa Branca insistiu que os países devem continuar cumprindo seus compromissos de acordos comerciais apesar da mudança legal, mas os analistas estão céticos.

O Global Trade Alert calculou que a tarifa média ponderada pelo comércio dos EUA agora está em 13,2% — abaixo dos 15,3% antes da decisão da Suprema Corte, mas bem acima dos 8,3% que seriam aplicados sem tarifa de substituição. O Yale Budget Lab estimou que as tarifas aumentariam os preços em 0,5% a 0,6%, custando à família americana média entre US$ 600 e US$ 800.

Wendy Cutler, ex-funcionária de comércio dos EUA no Asia Society Policy Institute, disse que as mudanças rápidas de Trump foram deliberadas. “A incerteza, na visão dele, simplesmente lhe dá uma enorme alavancagem adicional além das tarifas reais”, ela disse à Reuters. “Porque as pessoas estão preocupadas com o que ele vai fazer”.

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