Sócio do Grupo LeoDias pagou influenciadores para atacar BC.

Thiago Miranda, ex-CEO e sócio minoritário do Grupo LeoDias, é apontado como responsável por intermediar pagamentos milionários a influenciadores digitais para atacar o Banco Central após a liquidação do Banco Master. Os contratos chegavam a R$ 2 milhões e faziam parte do que foi batizado de “Projeto DV”, em referência ao banqueiro Daniel Vorcaro.
A jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, revelou detalhes do esquema nesta semana com base em documentos, trocas de mensagens e comprovantes bancários. A Polícia Federal abriu investigação preliminar para apurar se houve campanha coordenada, enquanto o Grupo LeoDias anunciou nesta sexta-feira (9) que está finalizando a transferência da participação societária de Miranda, iniciada no fim de 2025.
Propostas milionárias e cláusulas de sigilo
Os contratos oferecidos variavam conforme o alcance dos perfis. Para influenciadores com mais de 1 milhão de seguidores, a remuneração chegava a R$ 2 milhões por três meses de trabalho, com oito postagens mensais. Perfis menores, com menos de 500 mil seguidores, receberam propostas em torno de R$ 250 mil pelo mesmo período.
Um criador de conteúdo de São Paulo, que pediu anonimato, revelou ao G1 ter recebido R$ 7.840 por uma única postagem em 19 de dezembro. O pagamento saiu da conta de Thiago Miranda, dono da Agência MiThi, segundo comprovantes bancários. O influenciador apagou o post dois dias depois e devolveu o dinheiro, alegando que o conteúdo “ultrapassava limites éticos”.
Os contratos incluíam cláusulas de confidencialidade com multas de até R$ 800 mil em caso de vazamento, para manter a aparência de movimento orgânico contra o Banco Central.
Influenciadores recusaram ofertas
O vereador Rony Gabriel (PL-RS), de Erechim, com 1,7 milhão de seguidores, foi um dos que denunciaram a abordagem. Ele contou ao programa Estúdio i, da GloboNews, que recebeu proposta em 20 de dezembro e que, durante reunião por videoconferência, descobriu que o trabalho envolvia Daniel Vorcaro e o Banco Master.
A influenciadora Juliana Moreira Leite, conhecida como Julie Milk, também revelou ter sido procurada e recusado a oferta. O deputado estadual Leo Siqueira (Novo-SP) relatou situação semelhante, afirmando que cortou contato ao perceber a conexão com Vorcaro.
As propostas chegavam aos influenciadores por meio de intermediários como Júnior Favoreto, do Portal GroupBR, e André Salvador, da UNLTD Brasil. Favoreto afirmou que foi acionado por outra agência e que nenhum contrato foi fechado.
Pico de ataques e investigação
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) identificou volume atípico de postagens nas redes sociais entre 26 e 29 de dezembro, em um intervalo de 36 horas. O Netlab, laboratório da Universidade Federal do Rio de Janeiro, identificou mais de 80 mil publicações com ataques ao Banco Central no período.
O Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada em 18 de novembro de 2025, após o Banco Central concluir que a instituição não tinha condições de honrar compromissos financeiros. O banco é investigado por suspeitas de fraudes envolvendo carteiras de crédito que podem chegar a R$ 12 bilhões.
Em nota divulgada nesta sexta-feira, o Grupo LeoDias afirmou que a Agência MiThi “não possui qualquer relação” com o portal e que Thiago Miranda deixou o cargo de CEO em junho de 2025. A empresa destacou que “todas as atividades, contratos e operações da Agência MiThi são integralmente independentes”.
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