Inflação no Brasil sobe para 4,5% enquanto banco central se reúne para decidir sobre juros.

Os preços ao consumidor no Brasil subiram 4,50% em relação ao mesmo período do ano anterior na primeira quinzena de janeiro, informou a agência nacional de estatísticas nesta terça-feira, evidenciando pressões inflacionárias persistentes enquanto os formuladores de política monetária se reúnem para sua primeira decisão sobre juros de 2026.
O resultado ficou ligeiramente abaixo da estimativa mediana de 4,52% dos analistas consultados pela Bloomberg. Em base mensal, os preços ao consumidor aumentaram 0,2%, um pouco abaixo da expectativa de consenso de 0,21%. A aceleração em relação à taxa anual de 4,26% de dezembro sinaliza que as pressões sobre os preços permanecem elevadas, apesar de mais de um ano de aperto monetário agressivo.
Reunião do Banco Central tem início
Os dados de inflação chegam enquanto o Banco Central do Brasil, liderado por Gabriel Galipolo, inicia uma reunião de política monetária de dois dias que se encerra na quarta-feira. Os mercados esperam amplamente que os formuladores de política mantenham a taxa Selic de referência estável em 15% pela quinta reunião consecutiva, uma máxima de quase duas décadas mantida desde julho de 2025, enquanto o banco trabalha para conduzir a inflação de volta à sua meta de 3%.
O banco central tem enfrentado pressão crescente para aliviar os custos de empréstimos à medida que o crescimento econômico desacelera, mas autoridades sinalizaram que precisam de evidências sustentadas de que a inflação está diminuindo firmemente antes de mudar de curso. A inflação anual encerrou 2025 dentro do limite superior da faixa-alvo do banco central—3% mais ou menos 1,5 ponto percentual—mas economistas esperam que os aumentos de preços permaneçam acima da meta oficial até 2029.
Pressões de Preços Persistem
Alimentos e bebidas, a categoria de maior peso no índice de preços ao consumidor, contribuíram para a alta de janeiro, subindo 0,31% em comparação com 0,13% em dezembro. Itens de saúde e cuidados pessoais também mostraram aceleração, com produtos de higiene pessoal em alta de 1,38% e planos de saúde subindo 0,49%.
Uma pesquisa da Reuters realizada na semana passada constatou que 32 dos 35 economistas esperam que as taxas permaneçam inalteradas nesta reunião, embora a maioria antecipe que o primeiro corte em quase dois anos ocorrerá em março. Analistas do Citi observaram que “a queda nas expectativas de inflação, o arrefecimento da inflação atual e nossa convicção de que a inflação continuará melhorando possibilitariam ao Copom iniciar o ciclo de cortes em março”.

Perspectiva Econômica
A pesquisa Focus do banco central do Brasil, divulgada na segunda-feira, mostrou que instituições financeiras reduziram sua previsão de inflação para 2026 para 4%, enquanto projetam que a taxa Selic cairá para 12,25% até o final do ano. A economia deve crescer 1,8% este ano, abaixo dos 2,3% estimados para 2025, à medida que condições monetárias mais restritivas e impulsos fiscais mais fracos pesam sobre a atividade.
O ministro da Fazenda Fernando Haddad manifestou confiança de que o banco central tem espaço para reduzir as taxas de juros, embora tenha reconhecido que Galipolo herdou desafios incluindo “desestabilização das expectativas de inflação” de seu antecessor, Roberto Campos Neto.


