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Brasil registra saída de capital de US$ 33 bilhões, a segunda maior da história.

O Brasil registrou uma saída líquida de divisas de US$ 33,316 bilhões em 2025, a segunda maior fuga anual desde que o Banco Central começou a acompanhar os dados em 1982, segundo números preliminares divulgados em 7 de janeiro. Apenas o êxodo de US$ 44,768 bilhões em 2019 foi maior. Apesar da fuga massiva de capitais, a moeda brasileira se fortaleceu ao longo do ano, sustentada por taxas de juros que atingiram 15%, o nível mais alto em quase duas décadas.​

A saída foi impulsionada principalmente pelo canal financeiro, que engloba investimentos estrangeiros, remessas de lucros e pagamentos de juros. Este segmento registrou um fluxo negativo de US$ 82,467 bilhões, o segundo maior da série histórica. O canal comercial, vinculado a exportações e importações, compensou parcialmente as perdas com uma entrada de US$ 49,151 bilhões, embora o aumento das importações—que totalizaram US$ 238 bilhões, o segundo maior já registrado—tenha limitado esse colchão.

​Somente dezembro viu US$ 13,562 bilhões deixarem o país, um valor inflacionado pela corrida de empresas para remeter dividendos ao exterior antes da entrada em vigor das novas regras tributárias. A partir de janeiro de 2026, o Brasil passou a tributar remessas internacionais de dividendos em 10%, encerrando décadas de isenções. Analistas observam que essa aceleração de fim de ano intensificou a drenagem do canal financeiro, que registrou uma saída de US$ 20,982 bilhões em dezembro.​

Fundos de Ações Sangram com Fuga de Investidores Locais

Os fundos de ações brasileiros sofreram saídas recordes em 2025, com investidores domésticos retirando bilhões mesmo enquanto capital estrangeiro despejava na bolsa de valores do país. O Ibovespa disparou para máximas históricas durante o ano, subindo 34% conforme investidores internacionais migraram para mercados emergentes em meio à queda das taxas americanas e avaliações atraentes. Até maio, investidores estrangeiros injetaram R$21,5 bilhões na B3, o fluxo de entrada mais forte desde 2019.​

Porém, os investidores locais permaneceram céticos. Os fundos de investimento no Brasil registraram saídas líquidas de R$37,8 bilhões no primeiro semestre de 2025, com fundos de ações perdendo R$43,6 bilhões. As altas taxas de juros domésticas tornaram os títulos públicos mais atrativos que ações, provocando uma migração para títulos de renda fixa.

Cortes de Juros Devem Mudar o Sentimento do Mercado

Gestores de fundos estão apostando que os cortes de juros previstos para 2026 reverterão a maré. O Banco Central do Brasil manteve a taxa em 15% em dezembro, mas as expectativas do mercado apontam para o início do afrouxamento monetário ainda este ano, com projeções de que a taxa Selic caia para entre 12% e 12,75% até o final do ano. Analistas dizem que custos de empréstimos mais baixos poderiam tornar as ações mais competitivas e reacender o apetite doméstico por ações após um ano em que os investidores locais preferiram a segurança dos títulos isentos de impostos.​

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