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Irã confirma 5 mil mortos em repressão enquanto protestos diminuem.

Um oficial iraniano reconheceu no domingo que as autoridades verificaram pelo menos 5 mil mortes durante três semanas de protestos em todo o país, a primeira confirmação desse tipo de dentro do governo enquanto a repressão mais mortal da República Islâmica em décadas parece ter suprimido temporariamente as manifestações nas ruas.

O número, que inclui aproximadamente 500 agentes de segurança, foi divulgado por um oficial regional falando à Reuters sob condição de anonimato. O oficial culpou “terroristas e manifestantes armados” pelas baixas, enquanto atribuiu o apoio aos manifestantes a “Israel e grupos armados no exterior”. O reconhecimento segue a admissão do Líder Supremo Aiatolá Ali Khamenei no sábado de que “vários milhares” haviam morrido durante os distúrbios.​

Estimativas Conflitantes de Vítimas

O número oficial do governo contrasta com as estimativas de grupos de direitos humanos e fontes médicas. A Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA), sediada nos EUA, informou no sábado que 3.308 mortes haviam sido confirmadas, com 4.382 casos adicionais sob análise, e mais de 24.000 prisões documentadas. Um relatório separado compilado por uma rede de médicos iranianos e citado pelo The Sunday Times colocou o número de mortos em 16.500, com aproximadamente 330.000 feridos.​

O professor Amir Parasta, um cirurgião oftalmologista iraniano-alemão que ajudou a coordenar o relatório dos médicos, disse ao The Sunday Times que os profissionais de saúde se comunicaram através de terminais de satélite Starlink contrabandeados depois que a internet foi cortada. “Este é um nível totalmente novo de brutalidade”, disse Parasta, descrevendo “ferimentos de bala e estilhaços na cabeça, pescoço e peito” causados por armas de grau militar.​

A fonte oficial disse à Reuters que as baixas mais pesadas ocorreram em áreas curdas iranianas no noroeste, onde separatistas historicamente têm sido ativos. Testemunhas oculares que fugiram do Irã descreveram forças de segurança atirando em multidões de telhados, com uma delas dizendo ao The Sunday Times: “Atiradores de elite em telhados estavam atirando nas pessoas na nuca.”​

Internet Gradualmente Restabelecida

Após mais de dez dias de bloqueio quase total das comunicações imposto em 8 de janeiro, as autoridades iranianas começaram uma restauração gradual da conectividade neste fim de semana. O serviço de SMS foi retomado no sábado, e o acesso ao Google foi restabelecido em todo o país no domingo, de acordo com a Agência de Notícias Tasnim, ligada ao IRGC. Um parlamentar iraniano anunciou que o acesso completo à internet provavelmente retornaria até segunda ou terça-feira.​

O bloqueio coincidiu com a fase mais mortal da repressão, que ativistas e múltiplos relatórios indicam ter ocorrido principalmente em 8 e 9 de janeiro. A NetBlocks, uma organização de monitoramento da internet, informou no sábado que a conectividade geral permanecia em aproximadamente 2 por cento dos níveis normais, apesar da restauração parcial.​

Uma Calma Tensa se Instala

Moradores descrevem uma quietude tensa que se instalou sobre as cidades iranianas, com forte presença de segurança desencorajando novos protestos. Testemunhas disseram à Reuters que Teerã permaneceu calma por quatro dias, com drones observados sobrevoando, mas sem manifestações visíveis. As escolas reabriram no domingo após uma semana de fechamento, enquanto as autoridades declararam que “a segurança havia sido restaurada.”​

O presidente Donald Trump, que havia ameaçado ação militar se o Irã “matar violentamente manifestantes pacíficos”, pareceu suavizar sua postura nos últimos dias, agradecendo à liderança iraniana na sexta-feira pelo que ele alegou ser o cancelamento de mais de 800 execuções programadas. No entanto, em declaração à Politico no sábado, Trump declarou que era “hora de buscar uma nova liderança no Irã”, chamando Khamenei de “um homem doente que deveria administrar seu país adequadamente e cessar as mortes.”​

Analistas alertam que as queixas subjacentes que provocaram os protestos—dificuldades econômicas, inflação e a desvalorização do rial—permanecem sem solução. “Eles já venceram a batalha contra o povo”, disse Dina Esfandiary, diretora do programa de estudos do Oriente Médio na Universidade George Washington. “Acho que, em última análise, eles vão perder a guerra.”

#irã #Khamenei #trump

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