FGC inicia maior resgate da história para credores do Banco Master.

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) iniciou neste sábado (17) o processo de pagamento das garantias aos investidores do Banco Master, no maior resgate já realizado pela entidade em sua história. O volume de acessos ao aplicativo, entretanto, causou instabilidades que dificultaram o início dos pedidos de ressarcimento.
Serão pagos R$ 40,6 bilhões a cerca de 800 mil credores que tinham recursos depositados ou aplicados no banco liquidado pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025. Inicialmente, estimava-se que 1,6 milhão de investidores teriam direito ao ressarcimento, com valor total de R$ 41,3 bilhões.
Instabilidade no aplicativo
As solicitações para pessoas físicas foram abertas às 9h30, mas credores relataram dificuldades em enviar documentos e concluir os procedimentos necessários. Por meio de nota, o FGC informou que até as 12h foram registrados mais de 140 mil acessos simultâneos, o que provocou as falhas de disponibilidade.
“A infraestrutura tecnológica do aplicativo é auto escalável, de forma que a normalização da disponibilidade é esperada para as próximas horas. As equipes técnicas seguem monitorando continuamente e atuando na promoção do ganho de performance da plataforma”, informou o FGC.
O diretor-presidente do FGC, Daniel Lima, afirmou que “a equipe do liquidante, com apoio do time do FGC, trabalhou incansavelmente, dias, noites e finais de semana, para gerar os arquivos no menor tempo possível”. Após a solicitação no aplicativo, o crédito deve ser depositado em até 48 horas úteis.
Sem risco sistêmico
Apesar do valor expressivo, especialistas avaliam que o caso não representa risco para o sistema financeiro. O FGC possui cerca de R$ 125 bilhões em liquidez, valor suficiente para absorver o impacto. Até então, o maior desembolso do fundo havia ocorrido com a quebra do Bamerindus, em 1997, que gerou cerca de R$ 20 bilhões em valores atualizados.
A cobertura do FGC segue o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, incluindo rendimentos acumulados até a data da liquidação. Investidores que possuíam valores acima desse teto terão de aguardar o processo de liquidação conduzido pelo Banco Central.
Alerta para golpes
O FGC também alertou para tentativas de fraude durante o processo. “O FGC não cobra nenhum tipo de taxa para efetuar o pagamento da garantia, não antecipa, não transfere créditos garantidos e não utiliza intermediários. Nenhum contato é feito por meio do WhatsApp ou SMS”, informou a entidade.
A liquidação do Banco Master foi decretada após o Banco Central constatar uma “grave crise de liquidez” e “graves violações às normas” que regem as instituições do Sistema Financeiro Nacional. Daniel Vorcaro, controlador do banco, chegou a ser preso ao tentar deixar o país, mas foi solto dias depois mediante uso de tornozeleira eletrônica.
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