CVM admite limitações e chama fraude do Banco Master de “inédita” em audiência no Senado.

O presidente interino da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), João Carlos Uzeda Accioly, enfrentou nesta terça-feira (24) uma audiência tensa na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, onde senadores cobraram explicações sobre uma possível omissão do órgão regulador no caso do Banco Master, acusado de uma fraude bilionária no mercado de capitais. Em sua defesa, Accioly negou falhas e classificou o esquema como “inédito” no sistema financeiro brasileiro.
Senadores apontam omissão
O líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), foi um dos mais duros críticos na sessão. “Estamos falando de milhões de brasileiros que estão sendo prejudicados porque o dinheiro do seu fundo de previdência evaporou-se de forma criminosa”, declarou o senador, que também traçou paralelo com o escândalo contábil da Lojas Americanas para argumentar que a CVM não é “ré primária” em casos de falha na fiscalização. Braga sugeriu ainda que a atuação do órgão poderia ir além da omissão, indicando possível envolvimento em irregularidades.
A senadora Leila Barros (PDT-DF) questionou onde estaria a falha no sistema de proteção, considerando que a CVM alega ter tomado providências. “Estava correndo os processos, mas ainda assim aconteceu a fraude… Onde que houve erro?”, indagou.

“Fraude inédita”, diz Accioly
Accioly reconheceu que a CVM detectou movimentações atípicas do Banco Master desde 2022, mas alegou que limitações de pessoal e orçamento atrasaram a conclusão dos processos. Segundo ele, o orçamento discricionário do órgão foi reduzido em 70% desde 2015. Mesmo assim, afirmou que foi a própria CVM que comunicou ao Ministério Público Federal, em junho de 2025, os indícios de aportes de quase R$ 500 milhões do banco em empresas de fachada — informações que embasaram a Operação Compliance Zero da Polícia Federal.
O presidente interino descreveu o caso como possivelmente “inédito” porque, ao contrário de fraudes tradicionais, o próprio banco foi o “promotor” do esquema. “O Banco Master ‘gostava de ser enganado’ pelo gestor do fundo porque isso lhe dava um balanço muito mais robusto”, explicou Accioly, detalhando que a manipulação dos ativos de fundos exclusivos permitia ao banco parecer solvente perante o Banco Central e seguir emitindo CDBs.
Próximos passos
A CVM informou que há ao menos 200 processos em análise, sendo 24 deles relacionados ao Master, ao Banco Regional de Brasília (BRB) e à gestora Reag. Accioly defendeu a criação de um programa de proteção a informantes e maior investimento em inteligência artificial para monitorar os 30 mil fundos sob fiscalização do órgão.
O presidente da CAE, Renan Calheiros (MDB-AL), anunciou que o grupo de trabalho se reuniria ainda nesta terça com o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, relator do caso. O colegiado também discute como ouvir Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso em novembro de 2025 durante a Operação Compliance Zero. A fraude investigada é estimada pela PF em R$ 12,2 bilhões.
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