Chocolate acumula inflação de quase 25% antes da Páscoa.

Os preços do chocolate em barra e do bombom acumulam alta de 24,77% nos 12 meses encerrados em janeiro de 2026, segundo dados do IPCA, o índice oficial de inflação calculado pelo IBGE. O avanço é quase seis vezes superior à inflação geral do período, que ficou em 4,44%, e chega às gôndolas dos supermercados um pouco mais de um mês da Páscoa, marcado para 5 de abril.
Dos 377 subitens que compõem a cesta pesquisada no IPCA, apenas cinco registraram inflação superior à do chocolate nesse intervalo, entre eles transporte por aplicativo (37,36%), café solúvel (27,46%) e energia elétrica residencial (27,34%).
Cacau em queda, mas atraso demora a chegar
A alta persistente nos preços do chocolate reflete principalmente os impactos defasados da disparada das cotações internacionais do cacau, que saltaram de cerca de US$ 2.500 por tonelada em 2022 para US$ 12 mil no auge da crise, segundo a Abicab (Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas). Embora o cacau tenha recuado para a faixa de US$ 3 mil a US$ 5 mil por tonelada nas bolsas internacionais, os estoques atuais dos fabricantes ainda carregam grãos adquiridos no pico de preços, o que retarda o repasse de custos menores ao consumidor final.
O economista Leandro Gilio, pesquisador do Insper Agro Global, afirmou à Folha de S.Paulo que o mercado de cacau “ainda não se normalizou” e que a indústria passou a apostar em produtos “sabor chocolate”, com menos cacau, para compensar a alta dos insumos. Segundo ele, pode haver um movimento futuro de queda nos preços, mas “não de maneira imediata para o consumidor”.
Páscoa mais cara nas prateleiras
Nas gôndolas, a realidade já se impõe. Levantamento do site Money Times mostra que ovos de marcas populares como Garoto e Ferrero Rocher apresentam aumentos que variam de 7% a 25% em relação ao ano passado. Em Campo Grande, os primeiros ovos da temporada apareceram a partir de R$ 54,99, contra R$ 41,90 na mesma época em 2025.
No mercado artesanal, as confeiteiras relatam que o pacote de dois quilos de chocolate subiu de cerca de R$ 80 para a faixa de R$ 130 a R$ 140, um aumento superior a 60%. A estratégia para manter as vendas inclui reduzir o tamanho das porções, diversificar os recheios e apostar em kits mais acessíveis.
A Abicab regularmente o cenário de custos elevados, mas se diz “otimista para 2026”, citando a menor taxa de desemprego da história brasileira (5,6%) e uma economia que mantém a demanda aquecida. A inflação acumulada pelo chocolate, que chegou a 27,12% nos 12 meses até dezembro de 2025, mostra sinais de desaceleração — o avanço mensal de janeiro (1,28%) foi o menos intenso dos últimos nove meses.
#Páscoa #chocolate #IPCA #IBGE



