BRICS lança sistema de pagamentos baseado no Brasil para contornar o dólar.

O bloco BRICS introduziu um novo sistema de pagamentos transfronteiriços utilizando a tecnologia Pix de transferência instantânea do Brasil, marcando um avanço significativo nos esforços das economias emergentes para reduzir a dependência do dólar americano no comércio internacional.
A plataforma, conhecida como Sistema Descentralizado de Mensagens Transfronteiriças, opera em infraestrutura blockchain e conecta os países-membros por meio de suas redes nacionais de pagamento, segundo a NS3.AI. O sistema pode processar até 20.000 mensagens por segundo, integrando moedas locais e moedas digitais de bancos centrais em todos os países participantes.
Crescente Movimento pela Desdolarização
O lançamento coincide com um sentimento pessimista recorde em relação ao dólar entre investidores institucionais. A pesquisa de fevereiro do Bank of America mostra que o posicionamento dos investidores na moeda americana caiu para seu nível mais negativo desde o início da série de dados em janeiro de 2012.
“O posicionamento em dólar atingiu seu nível mais negativo já registrado”, segundo a pesquisa, com posições vendidas superando extremos pessimistas anteriores, incluindo as mínimas de abril do ano passado. A mudança ocorre apesar da redução das preocupações sobre a independência do Federal Reserve após a nomeação de Kevin Warsh pelo presidente Donald Trump como o próximo presidente do Fed.
Enquanto isso, as nações do BRICS já transferiram uma parcela substancial de seu comércio mútuo para fora do dólar. O CEO do VTB Bank, Andrei Kostin, disse à Sputnik News que o bloco liquidou 60% das transações transfronteiriças em moedas locais. Rússia e China agora conduzem aproximadamente 90% de seu comércio bilateral em rublos e yuans, dispensando completamente os intermediários em dólar.
Construção de Infraestrutura Financeira Alternativa
O Banco Central da Índia propôs que os membros do BRICS conectem suas moedas digitais de bancos centrais na cúpula do bloco de 2026, programada para agosto ou setembro em Nova Délhi. Índia, Brasil e China já realizaram pilotos de suas respectivas moedas digitais, posicionando-os para liderar os esforços de integração técnica.
A iniciativa se baseia em sistemas de pagamento nacionais existentes, incluindo o Sistema de Pagamentos Interbancários Transfronteiriços da China, a Interface de Pagamentos Unificados da Índia, o SPFS da Rússia e o Pix do Brasil. Em vez de criar uma moeda comum, a estratégia foca na interoperabilidade entre moedas digitais soberanas para permitir liquidações diretas sem redes de bancos correspondentes.
Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Indonésia se juntaram aos cinco membros originais do BRICS desde 2024. A membros ampliada, representando mais de 40% da população global, fortalece o peso econômico coletivo do bloco enquanto ele desenvolve alternativas aos sistemas financeiros dominados pelo Ocidente.
Trump ameaçou impor tarifas de 100% sobre países do BRICS que busquem iniciativas de desdolarização. O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva respondeu que, embora o comércio com os EUA represente 1,7% do PIB do Brasil, o país “pode sobreviver sem os EUA”.
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