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Irã prende mais de 50 mil pessoas em operação massiva após repressão mortal a protestos.

As forças de segurança iranianas prenderam mais de 50 mil pessoas em uma campanha massiva após uma repressão brutal no mês passado que matou milhares de manifestantes, segundo grupos de direitos humanos. A operação, que abrange grandes cidades e vilarejos rurais, tem como alvo manifestantes, médicos, advogados, estudantes, atores e figuras políticas reformistas, com muitos mantidos incomunicáveis por dias ou semanas.

A Associated Press relatou que agentes de segurança têm realizado batidas em residências e locais de trabalho durante a madrugada em todo o país, usando imagens de vigilância e tecnologia de reconhecimento facial para rastrear indivíduos que participaram dos protestos que atingiram o pico no início de janeiro.

Operação de Segurança de Grande Escala

Os protestos, que eclodiram no final de dezembro de 2025 em resposta à crise econômica do país, se espalharam por mais de 190 cidades e vilarejos antes que as forças de segurança reagissem com uso de força letal. A Agência de Notícias dos Ativistas de Direitos Humanos, um grupo sediado nos EUA que verifica cada morte por meio de contatos locais, contabilizou mais de 7.000 pessoas mortas. O governo iraniano reconheceu 3.117 mortes, embora historicamente subestime o número de vítimas fatais em situações de agitação civil.

“As autoridades continuam identificando pessoas e as detendo”, disse Shiva Nazarahari, do Comitê para Monitoramento da Situação dos Manifestantes Detidos, à AP. Seu grupo verificou os nomes de mais de 2.200 presos, incluindo 107 estudantes universitários, 82 crianças de até 13 anos, 19 advogados e 106 médicos.

O New York Times informou que as autoridades iranianas têm empregado ferramentas de vigilância digital, incluindo reconhecimento facial e análise de dados móveis, para identificar e deter indivíduos suspeitos de participar dos protestos. Alguns detidos enfrentaram interrogatórios prolongados baseados em evidências de vigilância, à medida que o acesso à internet está sendo gradualmente restaurado.

​Repressão se Amplia para Figuras Políticas

A repressão se expandiu para atingir o movimento reformista do Irã. As forças de segurança prenderam pelo menos quatro políticos reformistas proeminentes no início de fevereiro, incluindo Azar Mansouri, chefe da Frente Reformista, o ex-diplomata Mohsen Aminzadeh e Ebrahim Asgharzadeh, que liderou a tomada da Embaixada dos EUA em 1979. As prisões ocorreram após uma declaração reformista pedindo a renúncia do Líder Supremo, o Aiatolá Ali Khamenei.

A vencedora do Prêmio Nobel da Paz, Narges Mohammadi, já presa, recebeu uma sentença adicional de sete anos e meio, segundo sua fundação.

Desafio Persiste

Apesar da repressão, grupos cívicos continuam emitindo declarações de desafio. A Associação de Escritores do Irã descreveu os protestos como uma revolta contra “47 anos de corrupção sistêmica e discriminação”. Um conselho nacional de professores pediu às famílias que se manifestassem sobre crianças detidas, afirmando: “Não tenham medo das ameaças das forças de segurança.”

O Parlamento Europeu adotou na semana passada uma resolução com 524 votos a favor e 3 contra, condenando a “opressão sistêmica” do Irã e alertando que os abusos documentados podem atingir o limite legal para crimes contra a humanidade. Os parlamentares pediram sanções ampliadas e encaminhamento ao Tribunal Penal Internacional.

“O cumprimento da lei está na pior situação que já esteve”, disse Musa Barzin, advogado do Dadban, um grupo de advogados iranianos que documenta detenções no exterior.

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