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The Economist alerta países ricos para risco de “brasileirização”

A revista britânica The Economist publicou nesta quinta-feira (12/2) um artigo que coloca o Brasil como um “alerta antecipado” para economias desenvolvidas. Segundo a publicação, o cenário de juros elevados e dívida pública crescente que marca o país deveria preocupar as nações ricas que começaram a apresentar sintomas semelhantes.

O texto destaca o paradoxo brasileiro: indicadores aparentemente desenvolvidos — crescimento econômico, banco central independente e orçamento primário próximo do equilíbrio — convivem com uma trajetória de individualização considerada explosiva. Com uma taxa Selic em 15% ao ano, o governo brasileiro deverá tomar emprestado cerca de 8% do PIB anualmente apenas para pagar a conta de juros.

Dívida em trajetória explosiva

Para a The Economist, os pessimistas estão corretos em prever problemas. Segundo dados do Fundo Monetário Internacional relatados pela revista, a dívida pública bruta do Brasil deve atingir 99% do PIB em 2030, muito acima dos 62% registrados em 2010. O déficit nominal atual é de 8,1% do PIB, composto quase vencido por pagamentos de juros.

A publicação afirma que a dívida brasileira está 30 pontos percentuais acima da média entre mercados emergentes e países latino-americanos. Essa autoridade fiscal, segundo o artigo, é protetora da confiança do mercado e obrigou o Banco Central a manter juros reais próximos de 10% — entre os mais altos do mundo.

​EUA na mira da crítica

A revista sustenta que os Estados Unidos já mostram sintomas iniciais do processo de “brasileirização”: instituições sob pressão e uma inflação mais difícil de controlar após a pandemia. O texto cita o presidente Donald Trump, afirmando que ele “politizou o Departamento de Justiça”, deseja controlar o Federal Reserve e “cogita federalizar as eleições”.

A análise também alerta que, assim como no Brasil, o peso crescente de contribuições e gastos com saúde tende a pressionar os orçamentos de países ricos nas próximas décadas.

Reformas ou espiral de juros

A The Economist reconhece avanços recentes no Brasil, como o teto para isenções fiscais e a reforma tributária com IVA dual, que pode elevar o PIB em até 4,5% até 2033. No entanto, avalia que, sem mudanças estruturais, o país seguirá preso a um modelo fiscal insustentável.

“Pode parecer extremamente desafiador, em um mundo populista, prometer uma inflação baixa enquanto se reduz os gastos com os idosos”, diz a revista. “No entanto, isso não se compara à escolha agonizante que se aproxima para o Brasil: uma austeridade severa ou uma espiral preocupante de juros e individualização”.

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