TCU promete punir agentes do BC por falhas no caso Master.

O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Vital do Rêgo, afirmou nesta terça-feira (10) que agentes do Banco Central que cometerem erros ou agido com dolo no processo de liquidação do Banco Master poderão ser responsabilizados por suas condutas. “Alguém vai responder se for pego em erro ou dano”, declarou o ministro durante a CEO Conference do BTG Pactual, em São Paulo.
A declaração ocorre após os auditores do TCU concluírem a inspeção nos documentos do Banco Central sobre a liquidação extrajudicial do Master. O relatório técnico da unidade de auditoria especializada deve ser entregue ao gabinete do ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso, até quinta-feira (12).
Limites da atuação do TCU
Apesar do tom de advertências, Vital do Rêgo ressalvou que o TCU não tem poder para modificar a liquidação decretada pelo BC em novembro de 2025. “Só quem tem poder para liquidar uma instituição financeira é o Banco Central”, afirmou o ministro, que disse estar “doido para virar essa página”.
A fiscalização analisou se a liquidação obedeceu às normas do direito administrativo, incluindo critérios de transparência, eficiência e regularidade. O TCU também concedeu a evolução dos alertas de supervisão diante dos sinais de desvios financeiros da instituição, bem como se alternativas menos graves foram consideradas antes da medida extrema.
Contexto da crise
O Banco Master foi liquidado pelo BC em 18 de novembro de 2025, no mesmo dia em que seu controlador, Daniel Vorcaro, foi preso pela Polícia Federal durante a Operação Compliance Zero. Executivos da instituição são acusados de fabricar Cédulas de Crédito Bancário sem valor real e de fraudes envolvendo a venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB) por R$ 12,2 bilhões.
A quebra do Master é a maior da história do país em termos de impacto para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que já realizou pagamentos superiores a R$ 32 bilhões aos credores da instituição. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que também participou da conferência do BTG, elogiou a atuação de Gabriel Galípolo, presidente do BC, afirmando que o “crescimento exponencial” do Master foi “estancado” quando ele assumiu a autoridade monetária.
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