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Brasil deve bater recorde de exportações de soja em fevereiro, diz Anec.

O Brasil está a caminho de exportar aproximadamente 14 milhões de toneladas de métricas de soja entre janeiro e fevereiro, de acordo com cronogramas preliminares de embarque da Anec, associação nacional dos exportadores de grãos do país, marcando um fluxo concentrado que pode aliviar a abertura de curto prazo nos mercados globais de soja, mesmo com os agricultores permanecendo incomuns lentos em firmar vendas antecipadas.

A onda de exportações de dois meses ocorre enquanto o maior produtor mundial de soja colhe uma safra recorde estimada entre 177 e 182 milhões de toneladas, dependendo da agência, superando em muito a temporada anterior em até 10 milhões de toneladas. A Anec projeta que apenas os embarques de fevereiro podem atingir 11,42 milhões de toneladas, o que seria o maior volume já registrado para o mês.

Fluxo de Exportação Recorde Apesar de Venda Lenta dos Produtores

Apesar do aumento nas exportações, os produtores rurais brasileiros têm demonstrado resistência em firmar contratos de venda. A consultoria Safras & Mercado estima que as vendas antecipadas representem apenas 33,9% da safra esperada até 6 de fevereiro, em comparação com 42,4% no mesmo período do ano passado e uma média de cinco anos de 45,1%. Analistas atribuem essa hesitação a um real brasileiro mais forte, custos de frete elevados e pressão baixista sobre os preços futuros de Chicago, impulsionados pela oferta global abundante.

“No ano passado, neste momento, ainda tínhamos 105 milhões de toneladas para vender. Este ano, são 120 milhões”, disse Marcos Debastiani, da Agroconsult, durante uma turnê de safra por 14 estados produtores.

Dados oficiais da alfândega mostraram que as exportações de soja de janeiro atingiram 1,876 milhões de toneladas, alta de 75,5% em relação ao mesmo mês de 2025, com receitas subindo 91,7% para US$ 830,98 milhões. A China continua sendo o principal destino, respondendo pela maior parte dos embarques, já que os investidores privados do país garantem cargas em meio aos preços competitivos brasileiros.

Pressão Logística e Impacto no Mercado Global

O volume concentrado de embarques está sobrecarregando a rede logística do Brasil. As tarifas de frete rodoviário subiram até 20% em janeiro, à medida que a colheita avançou no ritmo mais acelerado da década em Mato Grosso, o principal estado produtor do país, de acordo com a Esalq-Log da Universidade de São Paulo. A Argus Media informou que as tarifas de frete rodoviário encontradas elevadas ao longo de 2025 e devem subir ainda mais em 2026, impulsionadas pela produção recorde de soja do Brasil, o que aumenta a demanda por transporte rodoviário.

O congestionamento portuário continua sendo uma preocupação persistente. Em Santos, o maior porto da América Latina, aproximadamente 55% das embarcações enfrentarão atrasos em 2024, com alguns aguardando até 10 dias para atracar. A situação pode piorar à medida que a soja compete com outras exportações agrícolas durante os meses de pico de embarques.

Para os compradores globais, o aumento da oferta brasileira oferece ruptura em relação ao abertura no global, especialmente para importadores chineses que preferem a soja sul-americana em vez de cargas americanas mais caras. A soja brasileira para embarque em fevereiro foi negociada a pelo menos 50 centavos de dólar por bushel abaixo dos preços do Golfo dos EUA em base FOB (free-on-board), com expectativa de que essa diferença aumente à medida que a colheita se intensifica.

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