Mercados atingem recordes históricos apesar de intervenção na Venezuela.

Os mercados financeiros absorveram a intervenção militar dos EUA na Venezuela com uma calma notável, com os principais índices de ações subindo para recordes históricos nesta semana, apesar das questões sobre a produção de petróleo e a estabilidade política do país após a captura do presidente Nicolás Maduro em 3 de janeiro.
O S&P 500 e o Dow Jones Industrial Average alcançaram novas máximas históricas em 6 de janeiro, com o Dow ultrapassando os 49.000 pontos. Os preços do petróleo apresentaram apenas movimentação modesta, com o Brent sendo negociado em torno de US$ 60 por barril e o West Texas Intermediate próximo de US$ 58 em 7 de janeiro, refletindo um mercado global já enfrentando um excesso de oferta significativo.
Oferta Limitada Modera Reação do Petróleo
A produção atual de petróleo da Venezuela, de aproximadamente 1 milhão de barris por dia, representa menos de 1% da produção global, limitando o impacto imediato da intervenção no mercado. A Agência Internacional de Energia projeta um excedente global de petróleo de 3,84 milhões de barris por dia em 2026, quase 4% da demanda mundial, deixando pouco espaço para que interrupções no fornecimento pressionem os preços para cima.
Martijn Rats, Estrategista Global de Commodities da, observou que “o mercado global de petróleo provavelmente já está com excesso de oferta”, com a empresa projetando uma queda do petróleo Brent para a faixa dos US$ 50 nos próximos meses. Qualquer aumento na produção da Venezuela aprofundaria essa perspectiva pessimista, alertam os analistas.
Alta nas Ações de Energia e Dívidas em Recuperação Judicial
Empresas de energia dos EUA registraram ganhos expressivos à medida que investidores precificavam oportunidades potenciais. A Chevron, única empresa petrolífera americana operando atualmente na Venezuela sob isenções de sanções, disparou 5% na segunda-feira, enquanto as prestadoras de serviços de campo petrolífero Halliburton e SLB saltaram 7,8% e 9,0% respectivamente.
Os títulos do governo venezuelano e da PDVSA se valorizaram até 10 centavos por dólar a partir de níveis profundamente deteriorados, com analistas do JPMorgan antecipando ganhos adicionais à medida que a mudança de regime aumenta as perspectivas de reestruturação. A dívida externa total do país chega a aproximadamente US$ 150-170 bilhões, com analistas do Citigroup estimando que recuperações na faixa de 40 centavos por dólar exigiriam reduções de principal de pelo menos 50%.
Longo Caminho para a Recuperação da Produção
Analistas de energia alertam que restaurar a indústria petrolífera da Venezuela exigiria anos de investimento e estabilidade política. A ConocoPhillips reivindica US$ 12 bilhões em compensação por expropriações de ativos no passado, enquanto a Exxon Mobil busca aproximadamente US$ 20 bilhões, complicando qualquer retorno rápido de empresas norte-americanas.
Refinarias da Costa do Golfo dos EUA, incluindo Valero Energy, Marathon Petroleum e Phillips 66, estão posicionadas para se beneficiar do maior acesso ao petróleo pesado venezuelano, que suas instalações são especificamente projetadas para processar.
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