China orienta bancos a limitarem investimentos em títulos do Tesouro dos EUA, citando riscos.

Reguladores chineses orientaram discretamente instituições financeiras domésticas a limitarem sua exposição à dívida do governo americano, citando preocupações sobre riscos de concentração e volatilidade do mercado, segundo fontes familiarizadas com o assunto. A orientação, divulgada pela Bloomberg no domingo, representa o mais recente passo de Pequim em uma estratégia de longa data para reduzir sua dependência da dívida soberana americana.
Autoridades instruíram bancos comerciais a restringirem novas compras de títulos do Tesouro dos EUA e solicitaram que aqueles com exposição elevada reduzissem suas posições, de acordo com diversos relatos. A diretriz não afeta os investimentos oficiais do Estado chinês em títulos do Tesouro americano, que são gerenciados separadamente pelo Banco Popular da China.
Momento Levanta Questionamentos
A orientação regulatória surgiu dias antes de o presidente Donald Trump e o líder chinês Xi Jinping realizarem uma ligação telefônica em 4 de fevereiro, que ambos os lados caracterizaram como produtiva. Trump descreveu a conversa como “longa e minuciosa” e disse que o relacionamento bilateral permanece “extremamente bom”. Os dois líderes concordaram em realizar visitas de Estado recíprocas ainda este ano.
O mercado reagiu rapidamente à notícia de domingo. Os rendimentos dos títulos do Tesouro de 10 anos subiram para 4,25% após negociarem em torno de 4,22% anteriormente, de acordo com a Bloomberg.
A diretriz dá continuidade a uma tendência de uma década da China reduzindo sistematicamente seu apoio à dívida americana. As reservas oficiais da China em títulos do Tesouro dos EUA caíram para US$ 682,6 bilhões em novembro de 2025, o menor nível desde 2008, de acordo com dados do Departamento do Tesouro dos EUA. Esse valor representa um declínio acentuado de mais de 47% em relação ao pico de aproximadamente US$ 1,32 trilhão alcançado em novembro de 2013.
Antes o maior detentor estrangeiro de dívida do governo americano, a China caiu para o terceiro lugar, atrás do Japão e do Reino Unido. O Japão detém aproximadamente US$ 1,2 trilhão em títulos do Tesouro dos EUA, enquanto a Grã-Bretanha mantém cerca de US$ 888 bilhões.
Analistas veem a redução de títulos do Tesouro por parte de Pequim como parte de uma estratégia mais ampla para diversificar seu enorme pool de reservas. A China mantém as maiores reservas cambiais do mundo, totalizando US$ 3,399 trilhões em janeiro de 2026. Concomitantemente, o Banco Popular da China tem adicionado ouro às suas reservas por quinze meses consecutivos, atingindo 74,19 milhões de onças troy finas.

“O acúmulo massivo de dívida se assemelha a um esquema Ponzi, onde volumes maiores de nova dívida são usados para substituir a antiga”, disse Shao Yu, economista-chefe do Centro de Pesquisa em Gestão de Inovação Científica e Tecnológica da Universidade de Fudan, ao South China Morning Post. “A China não quer mais participar desse jogo.”
#china #eua #treasuriesamericano #tesouroamericano


