Presidente do BRB descartou privatização e anuncia enxugamento.

Nelson Antônio de Souza, presidente do Banco de Brasília (BRB), afirmou que uma instituição não será privatizada nem federalizada durante sua gestão. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo publicada neste domingo (8), Souza foi categórico: “Se tiver federalização ou privatização, não é com Nelson na presidência”.
A declaração ocorre em meio à grave crise financeira resolvida pelo banco público do Distrito Federal após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em novembro de 2025. O rombo nas contas do BRB em função das operações com a instituição pode chegar a R$ 5 bilhões, segundo estimativa do diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino.
Plano de recuperação entregue ao BC
O BRB entregou na sexta-feira (6) ao Banco Central um plano de capital com medidas para recompor o balanço e fortalecer a liquidez da instituição em um prazo máximo de 180 dias. O documento foi apresentado por Souza ao diretor de Fiscalização do BC, Gilneu Vivan.
Entre as estratégias planejadas estão a venda de carteiras próprias, a redução do âmbito de atuação — que nos últimos anos passou a ser nacional — e a possibilidade de um empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). “É salutar, em um primeiro momento, dar um passo atrás e voltar mais forte. Se o prédio tiver que diminuir de tamanho e ficar com menos andares, ele vai diminuir; porém, vai ficar mais sólido”, afirmou Souza.
Escândalo do Banco Master
Souza assumiu a presidência do BRB em 27 de novembro de 2025, indicado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB), após o afastamento de Paulo Henrique Costa no âmbito da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. A investigação apura um esquema de fraude envolvendo a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master ao BRB.
De acordo com as investigações, o BRB transferiu R$ 16,7 bilhões ao Master entre 2024 e 2025. Desse total, R$ 12,2 bilhões foram direcionados a operações com compromissos de fraude, em que as carteiras de crédito adquiridas eram “fabricadas”, sem valor real. O Ministério Público Federal afirma que os dirigentes do BRB tinham consciência das irregularidades e que a atuação ocasionou prejuízos ao Sistema Financeiro Nacional.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou que o caso Master pode representar “a maior fraude bancária da história do país”.
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