Brasil vende US$ 61 bi em títulos do Tesouro americano e desloca reservas para ouro.

As principais economias emergentes do mundo estão acelerando um movimento coordenado de afastamento de ativos denominados em dólar, vendendo centenas de bilhões em títulos do Tesouro americano enquanto expandem suas reservas de ouro em um ritmo não visto há décadas.
China, Índia e Brasil – três dos maiores membros dos BRICS – venderam coletivamente US$ 28,8 bilhões em títulos do Tesouro americano somente em outubro, levando o gigante banco ING a alertar que o bloco está “silenciosamente deixando” o mercado de títulos do Tesouro. A onda de vendas marca uma tendência persistente, e não um ajuste pontual, à medida que essas nações reconfiguram suas carteiras de reservas em meio ao aumento das tensões geopolíticas e preocupações sobre a sustentabilidade fiscal dos EUA.
Um ano de saídas sem precedentes
Entre outubro de 2024 e outubro de 2025, a China vendeu US$ 71,4 bilhões em títulos do Tesouro americano, direcionando sua posição de US$ 772 bilhões para pouco mais de US$ 700 bilhões. A Índia cortou sua exposição aos Treasuries em 21%, a queda anual mais acentuada em quatro anos, com as participações caindo de US$ 241,4 bilhões para aproximadamente US$ 190,7 bilhões. O Brasil vendeu US$ 61 bilhões em títulos de dívida americanos, segundo o Banco Central do Brasil.
As participações da China caíram ainda mais para US$ 682,6 bilhões em novembro de 2025—o menor nível desde 2008. A Bloomberg informou que as participações da Índia em Treasuries agora caíram para o menor nível em cinco anos, com os títulos representando apenas um terço dos ativos cambiais da nação, em comparação com 40% um ano antes.
“Isso aponta para a abordagem da Índia em direção à diversificação e marca uma mudança em sua estratégia cambial”, disse Dipanwita Mazumdar, economista do Banco de Baroda, observando a dependência reduzida de títulos denominados em dólar.
À medida que as nações do BRICS abandonam suas posições em títulos do Tesouro americano, elas estão direcionando suas reservas para o ouro. O bloco aumentou sua participação de ouro nas reservas em 102% desde 2020, subindo de 6,4% para 12,9% até o terceiro trimestre de 2025. As reservas combinadas de ouro agora excedem 6.000 toneladas, com a Rússia detendo 2.330 toneladas, a China 2.298 toneladas e a Índia 880 toneladas.
O World Gold Council relatou que as compras de ouro pelos bancos centrais foram em média de aproximadamente 60 toneladas por mês ao longo de 2025 — mais que o triplo do ritmo anterior a 2022. O Brasil fez sua primeira compra de ouro desde 2021, adicionando 16 toneladas em setembro para aumentar as reservas totais para 145,1 toneladas.

Domínio do Dólar se Enfraquece
Essas mudanças refletem preocupações mais amplas sobre o domínio do dólar. O Índice da Dólar Americano caiu abaixo de 97,0 em janeiro de 2026, atingindo seu mínimo em quatro anos. O JPMorgan Chase manteve uma perspectiva pessimista para o dólar em 2026, com a co-chefe de Estratégia Global de Câmbio, Meera Chandan, afirmando: “Nossa visão para o dólar em 2026 é de baixa”.
A participação do dólar nas reservas cambiais globais caiu para 56,32% — seu nível mais baixo em três décadas. Enquanto isso, a proporção de ouro nas reservas oficiais foi lançada para patamares não visíveis desde o início dos anos 1990, segundo o Conselho Mundial do Ouro.
“Os países estão recorrendo à diversificação de suas reservas, e o ouro está ressurgindo como um estabilizador ativo”, disse o analista financeiro Khalid Mustafa ao Minute Mirror.
#gold #ouro #brasil #brics #dólar #WorldGoldCouncil #Treasuries


