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Ação contra XP, BTG e Nubank questiona venda de CDBs do Master.

A crise do Banco Master continua a gerar ondas de choque no sistema financeiro brasileiro. Após a resolução extrajudicial decretada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025, o caso agora levanta debates sobre a responsabilidade de grandes auditorias e corretoras na identificação e divulgação de riscos aos investidores.

Quatro das maiores empresas de auditoria do mundo — KPMG, PwC, EY e Crowe — aprovaram balanços que continham ativos fictícios no ecossistema do Banco Master e da gestora Reag, conforme apuração do Poder360. A KPMG, que auditou o banco até dezembro de 2024, emitiu parecer sem ressalvas, embora listasse R$ 19,5 bilhões em cotas de fundos como “Principais Assuntos de Auditoria”. O Banco Central constatou posteriormente que parte relevante desses ativos era fictícia.

Ação contra corretoras

O Instituto Abradecont move uma ação civil pública contra a XP Investimentos, o BTG Pactual e o Nubank pela comercialização de CDBs do Banco Master com suposta insuficiência de informações sobre os riscos. Segundo o processo, conduzido à 6ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, as plataformas tiveram que utilizar a proteção do FGC para induzir investidores a acreditar que o risco era inexistente. A XP distribuiu R$ 26 bilhões em CDBs do Master, seguida pelo BTG com R$ 6,7 bilhões e o Nubank com R$ 2,9 bilhões.

“As corretoras utilizaram o Fundo Garantidor como uma estratégia de marketing para vender uma percepção de risco zero”, afirmou Sérgio Antunes, advogado da Abradecont. O pedido é de indenização de R$ 100 milhões por danos morais coletivos. O Nubank informou que a oferta de novos CDBs do Master foi encerrada em 2024. BTG Pactual e XP disseram que não irão comentar o tema.

Cascata

A liquidação do Will Bank, decretada em 21 de janeiro de 2026, ampliou os efeitos do colapso do conglomerado. O Fundo Garantidor de Créditos já pagou R$ 26 bilhões a mais de 521 mil credores do Master — 67% do total previsto de R$ 40,6 bilhões. A estimativa para o Will Bank é de R$ 6,3 bilhões adicionais.

O Conselho Monetário Nacional já determinou um aumento de 100% na contribuição das instituições financeiras ao FGC, de 0,01% para 0,02% sobre os depósitos elegíveis. O BRB deve começar a vender ativos recebidos do Master para cobrir parte do provisionamento de R$ 2,6 bilhões determinados pelo Banco Central, embora a instituição negue a exigência formal do regulador.

As auditorias alegaram sigilo profissional e não foram pronunciadas detalhadamente. A KPMG disse estar impedida de se manifestar sobre ex-clientes. A EY afirmou que apenas checou “a metodologia de fórmulas matemáticas”, enquanto a Crowe declarou ter atuado “em estrita conformidade com as normas”.

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