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O Brasil emitirá títulos em yuan pela primeira vez como parte do plano de dívida de 2026.

O Tesouro Nacional do Brasil anunciou na quarta-feira planos de acesso aos mercados internacionais com mais frequência em 2026, incluindo sua primeira emissão de títulos soberanos denominados em renminbi chinês, à medida que a maior economia da América Latina busca diversificar suas fontes de financiamento em múltiplas moedas.

O anúncio foi feito como parte do plano anual de financiamento da dívida do Tesouro, divulgado junto com relatórios que mostram que a dívida pública federal deve subir para entre R$ 9,2 trilhões e R$ 10,3 trilhões até o final do ano. A estratégia internacional tripla sinaliza os esforços do Brasil para reduzir sua dependência de dívida designada em dólares enquanto constrói pontes financeiras com parceiros comerciais importantes.

Títulos em Yuan Sinalizam Aprofundamento dos Laços com a China.

Os planejados “panda bonds” denominados em renminbi marcariam a estreia do Brasil no mercado doméstico de dívida da China, consolidando a integração financeira entre as duas nações que se aceleraram após a visita de Estado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Pequim em maio de 2025. Durante essa visita, o banco central do Brasil assinou um acordo de swap cambial no valor de RMB 190 bilhões com o Banco Popular da China, estabelecendo as bases para uma cooperação financeira mais profunda.

As Autoridades do Tesouro descreveram os Panda Bonds como uma “oportunidade atraente” para diversificar as fontes de capital estrangeiro do Brasil. Brasil e China agora liquidam uma parcela crescente de seu comércio bilateral em moedas locais, com a China atuando como o maior parceiro comercial do Brasil e o destino de mais de 30% das exportações brasileiras.

Retorno aos Mercados Europeus Após uma Década

O Tesouro também delineou planos para retornar aos mercados europeus com dívidas designadas em euros, uma medida que visa estabelecer uma curva de juros de referência para emissores do setor privado brasileiro. A última emissão de títulos soberanos em euros do Brasil ocorreu em 2014, quando o governo captou €1 bilhão. Antes disso, o Brasil acessou os mercados do euro em 2006.

A estratégia de emissão europeia reflete a abordagem mais ampla do Tesouro de utilização soberana para criar referências de precificação que ajudem as empresas brasileiras a acessar capital internacional de forma mais eficiente.

​Emissões em Dólar Devem se Intensificar

Ao mesmo tempo em que se diversifica para novas moedas, o Brasil também aumenta a frequência e o volume de suas emissões de títulos denominados em dólares. O país tem estado ativo nos mercados de dólar recentemente, captando US$ 2,5 bilhões por meio de um título de 10 anos em fevereiro de 2025 e realizando emissões adicionais posteriormente no ano.

O Secretário do Tesouro Rogério Ceron enfatizou que o Brasil possui um spread de risco favorável e manterá uma presença ativa nos mercados externos. A abordagem multicambial surge em um momento em que a emissão global de dívida determinada em dólares por governos vem fazendo, com países buscando cada vez mais alternativas em meio às mudanças na dinâmica financeira internacional.

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