Brasil cria caminho acelerado para bancos oferecerem serviços de criptomoedas.

O Banco Central do Brasil emitiu a Instrução Normativa 701/2026, estabelecendo um caminho simplificado para que bancos e corretoras entrem no mercado de criptomoedas. O regulamento anunciado esta semana exige que as instituições financeiras obtenham certificação de auditores independentes para verificar a conformidade com os padrões de comunicação de serviços de investimentos virtuais, permitindo que iniciem as operações 90 dias após a notificação do regulador.
Um Novo Ponto de Entrada para as Finanças Tradicionais
De acordo com a IN 701/2026, as instituições bancárias e corretoras devem contratar um certificador independente e qualificado antes de oferecer produtos relacionados a criptomoedas. O certificador verifica a conformidade com requisitos que incluem a segregação de ativos, que mantém os fundos dos clientes separados do capital da empresa, e a prova de reservas cobrindo todos os ativos digitais mantidos em nome dos usuários.
A regulamentação não nomeia empresas certificadas específicas elegíveis, embora análises de mercado apontem para firmas de auditoria globais com práticas em criptomoedas, consultorias de segurança focadas em custódia blockchain e consultorias regulatórias com capacidade técnica comprovada. Isac Costa, professor e diretor do Instituto Brasileiro de Tecnologia e Inovação, afirmou que o modelo de certificação permite que os bancos operem sem concluir o processo completo de autorização exigida para solicitação de serviços de criptomoedas padrão.
Parte do Marco Regulatório Mais Amplo de Criptoativos do Brasil
A instrução complementar às Resoluções 519, 520 e 521, publicadas pelo Banco Central em novembro de 2025, que estabeleceu o primeiro marco regulatório abrangente do Brasil para Prestadores de Serviços de Ativos Virtuais. Essas regulamentações entram em vigor em 2 de fevereiro de 2026, com as empresas já existentes tendo um período de adaptação de 270 dias para solicitar autorização ou transferência de operações para instituições brasileiras.
O marco regulatório mais amplo introduz o licenciamento obrigatório para empresas que oferecem serviços de ativos virtuais, com empresas alternativas em três modalidades: intermediação, custódia e corretagem. Os requisitos de capital variam mínimamente de R$ 10,8 milhões a R$ 37,2 milhões dependendo do tipo de atividade, alinhando o setor aos padrões prudenciais aplicados a outras instituições financeiras regulamentadas.

Mercado de Criptomoedas do Brasil em Destaque
O impulso regulatório ocorre à medida que o Brasil consolida sua posição como o maior mercado de criptomoedas da América Latina. De acordo com a Chainalysis, usuários brasileiros receberam aproximadamente US$ 318,8 bilhões em ativos digitais entre julho de 2024 e junho de 2025, representando quase um terço de todas as transações criptográficas na região.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galipolo, comentou que as stablecoins dependem de aproximadamente 90% do volume de transações de criptomoedas no Brasil, refletindo o uso crescente de ativos digitais para pagamentos, remessas e liquidações internacionais. Instituições financeiras tradicionais, incluindo Nubank e BTG Pactual, já expandiram suas ofertas de criptografia para atender a essa demanda.
Gilneu Vivan, diretor de regulação do Banco Central, declarou ao anunciar uma estrutura mais ampla que “as novas regulamentações limitam as oportunidades para golpes, fraudes e a utilização dos mercados de ativos virtuais para lavagem de dinheiro”.
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