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Haddad exige aporte de R$ 4 bi no BRB sob risco de intervenção.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, comunicou à direção do Banco de Brasília (BRB) que o Governo do Distrito Federal precisa realizar um aporte de R$ 4 bilhões na instituição para recompor o capital, sob risco de intervenção federal. A cobrança foi feita após o governo federal identificar insuficiência patrimonial no banco estatal, decorrente de operações realizadas na tentativa de aquisição do Banco Master, conforme reportado inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo.​

A exigência do Ministério da Fazenda está diretamente relacionada às investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, que apontam indícios de que o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, teria vendido R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes ao BRB. O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master em novembro de 2025 após constatar “grave crise de liquidez” e “comprometimento significativo da situação econômico-financeira”.​

Rombo em apuração

Em acareação no Supremo Tribunal Federal no fim do ano passado, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, afirmou que a instituição não conseguiu recuperar cerca de R$ 2 bilhões que haviam sido aportados no banco de Vorcaro antes da liquidação. Segundo investigadores da Polícia Federal e fiscais do Banco Central, o prejuízo para o BRB pode superar R$ 4 bilhões.​

O ministro Haddad classificou o caso como o que pode ser “a maior fraude bancária do país” e afirmou manter contato diário com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. “O caso inspira muito cuidado. Temos que tomar todas as cautelas devidas, mas ao mesmo tempo sendo bastante firmes em relação àquilo que tem de ser defendido pelo interesse público”, declarou o ministro.

​Resposta do BRB e do GDF

O BRB negou riscos à continuidade de suas operações e afirmou trabalhar em conjunto com o Banco Central. Segundo nota da instituição, todas as operações mencionadas no âmbito da Operação Compliance Zero estão incluídas em investigação forense independente conduzida pelo escritório Machado Meyer, com suporte técnico da Kroll.​

O banco informou que já possui um plano de capital que prevê aportes por diferentes instrumentos caso as perdas sejam confirmadas, incluindo “aporte direto do controlador, que já sinalizou com essa possibilidade”. A instituição afirmou manter solidez financeira, com patrimônio líquido de R$ 4,5 bilhões e patrimônio de referência de R$ 6,5 bilhões.​

O ultimato de Haddad chega em momento delicado para o governo de Ibaneis Rocha (MDB), que enfrenta dificuldades orçamentárias no Distrito Federal. O governador afirmou recentemente que o DF teve frustração de receita de cerca de R$ 2 bilhões em 2025, pressionando as contas públicas. O Ministério da Fazenda optou por não se manifestar oficialmente sobre a cobrança.​

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