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Comércio Brasil-China atinge recorde de US$ 171 bi com tarifas dos EUA remodelando os fluxos.

O comércio entre Brasil e China atingiu um recorde histórico de US$ 171 bilhões em 2025, consolidando a posição dominante de Pequim como o maior parceiro comercial de Brasília, ao mesmo tempo que ilustra como as tarifas dos EUA aceleraram a reorientação da maior economia da América Latina em direção à Ásia.

Os números recordes, divulgados na quarta-feira pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), representam um aumento de 8,2% em relação a 2024 e marcam o maior volume de comércio bilateral desde o início dos registros em 1997. O total é mais que o dobro dos US$ 83 bilhões em comércio do Brasil com os Estados Unidos, seu segundo maior parceiro.​

Consequências das Tarifas Remodelam Fluxos Comerciais

O aumento ocorre em meio a tensões comerciais crescentes com Washington. Em julho de 2025, o presidente Donald Trump impôs uma tarifa de 50% sobre a maioria das importações brasileiras, combinando uma alíquota “recíproca” de 10% com uma sobretaxa adicional de 40%. A Casa Branca citou queixas políticas relacionadas ao processo contra o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro e disputas sobre políticas de conteúdo digital.​

O impacto foi imediato. As exportações brasileiras para os EUA caíram 6,6% em relação ao ano anterior, passando de US$ 40,37 bilhões em 2024 para US$ 37,72 bilhões em 2025, uma queda equivalente a US$ 2,65 bilhões, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil. Enquanto isso, a China se movimentou rapidamente para absorver produtos brasileiros, sinalizando sua prontidão para comprar de tudo, desde café e petróleo bruto até aeronaves e insumos industriais.​

“Foi um ano muito complicado para as relações comerciais Brasil-EUA”, disse Tulio Cariello, diretor de conteúdo do CEBC. Ele observou que cerca de 22% das exportações brasileiras para os EUA — equivalentes a US$ 8,9 bilhões — permaneceram sujeitas a tarifas.

​Soja Impulsiona Demanda Chinesa

As exportações brasileiras para a China alcançaram US$ 100 bilhões em 2025, o segundo maior valor da série histórica, com a soja representando cerca de um terço do total dos embarques. A oleaginosa sozinha gerou US$ 43,5 bilhões em receita cambial, com o Brasil embarcando um recorde de 108,2 milhões de toneladas em 2025. A China comprou 85,4 milhões de toneladas de soja brasileira, representando 79% do total das exportações brasileiras de soja.​

No lado das importações, as compras brasileiras da China também estabeleceram um recorde de US$ 70,9 bilhões, alta de 11,5% em relação a 2024. O crescimento foi impulsionado por uma plataforma de exploração de petróleo, veículos elétricos e híbridos, fertilizantes e produtos farmacêuticos. A China agora representa 25,3% do total das importações do Brasil, superando seu pico anterior de 2024.​

O Brasil registrou um superávit comercial de US$ 29,1 bilhões com a China, representando 43% do superávit global de US$ 68,3 bilhões do país e estendendo uma sequência de 17 anos de saldos positivos com Pequim.​

Pivô Estratégico para a Ásia

Apesar dos números recordes com a China, autoridades brasileiras enfatizaram esforços de diversificação. As exportações para Argentina e Índia cresceram 31,4% e 30,2%, respectivamente. Enquanto isso, a China representou 27,2% do fluxo total de comércio exterior do Brasil, que atingiu US$ 629 bilhões em 2025.

“O eixo do comércio exterior brasileiro hoje está cada vez mais se deslocando para a Ásia”, afirmou Cariello, apontando para o crescimento da classe média e o aumento da demanda por alimentos em todo o Sudeste Asiático como fatores impulsionadores de longo prazo.

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