Credores bancários da Raízen contratam FTI enquanto negociações sobre dívida se intensificam.

Um grupo de credores bancários da Raízen SA está contratando a FTI Consulting como avaliador, enquanto uma produtora brasileira de açúcar e etanol sucumbe sob o peso de suas dívidas, informou a Bloomberg no domingo, citando pessoas familiarizadas com o assunto. O movimento marca a escalada mais recente no que se tornou uma das crises corporativas de individualização mais complexas da história brasileira.
O desenvolvimento significa que diversos grupos de credores agora estão se organizando de forma independente para o que promete ser uma batalha de reestruturação prolongada. Os detentores de títulos já formaram um comitê ad hoc e contrataram a Moelis como sua assessora financeira e o escritório de advocacia White & Case para assessoria jurídica, reportou à Bloomberg no início deste mês. Os títulos da Raízen foram negociados recentemente a aproximadamente 30 centavos de dólar, o que implica que o mercado espera que os credores absorvam perdas pesadas.
Uma Montanha de Dívidas Construída ao Longo de Anos
A Raízen, uma joint venture entre o conglomerado brasileiro Cosan e a Shell, viu sua posição financeira se deteriorar rapidamente. A empresa reportou um prejuízo líquido de R$ 15,6 bilhões (US$ 2,7 bilhões) em seu terceiro trimestre fiscal em 13 de fevereiro, impulsionado por uma baixa contábil não caixa de R$ 11,1 bilhões que refletiu o que a Raízen chamou de “estrutura de capital desequilibrada”. A dívida líquida subiu 43% na comparação anual para R$ 55,3 bilhões, elevando a alavancagem para 5,3 vezes o EBITDA — muito acima do nível de 3,0 vezes considerado sustentável.
A empresa montou sua própria equipe de assessores, contratando o Rothschild como consultor financeiro, a Alvarez & Marsal para apoio em reestruturação, e os escritórios de advocacia Pinheiro Neto e Cleary Gottlieb. A S&P Global Ratings, Fitch Ratings e Moody’s rebaixaram a classificação de crédito da Raízen para patamares bem dentro do território especulativo, com o corte de sete níveis da S&P sendo um dos maiores já registrados para uma empresa brasileira.
Acionistas em Desacordo sobre o Caminho a Seguir
Para complicar a situação, os acionistas controladores da Raízen apresentaram propostas de concorrentes concorrentes. A Shell projetou uma capitalização de aproximadamente R$ 5 bilhões — com a gigante petrolífera britânica contribuindo com mais de R$ 3,5 bilhões — mantendo a empresa intacta, de acordo com reportagem do veículo brasileiro Valor Econômico. A Cosan, ao lado dos fundos da, contrapôs com um plano de divisão da Raízen em duas entidades específicas — uma focada em açúcar e etanol, a outra em distribuição de combustíveis — acompanhada de uma conversão de 25% de sua dívida em capital.
O Que Vem a Seguir
A Fitch projeta que a Raízen vai gerar fluxo de caixa livre negativo até 2027, com despesas anuais de juros de aproximadamente R$ 9,5 bilhões, consumindo praticamente todo o EBITDA esperado. A empresa tem R$ 10,5 bilhões em dívidas vencendo nos próximos 18 meses, e refinanciando as taxas de mercado atuais deterioraria ainda mais sua posição financeira. Com credores bancários, detentores de títulos e acionistas agora representados por equipes de consultoria separadas, as negociações sobre o destino de uma das maiores empresas de biocombustíveis do mundo estão entrando em uma fase crítica.
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