FGC aprova plano de R$ 55 bi para cobrir rombo do Banco Master.

O Banco Central e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) avançaram em medidas para fazer face às perdas bilionárias causadas pela liquidação do Banco Master. Em evento na Associação Brasileira de Bancos (ABBC) nesta segunda-feira (9), o diretor de Regulação do BC, Gilneu Vivan, anunciou que a autarquia incluirá em sua agenda regulatória a revisão das regras do FGC, com uma proposta organizada até março. O conselho do FGC, por sua vez, aprovou um plano de recapitalização estimado em R$ 55 bilhões para recompor a caixa do fundo.
Plano de recapitalização do FGC
A estratégia aprovada pelo FGC envolve uma antecipação de 84 meses de contribuições dos bancos ao longo de três anos. Como o estatuto limita antecipações a 60 meses, a solução foi dividir os esportes: cerca de R$ 30 bilhões em 2026, com esportes adicionais de aproximadamente R$ 12 bilhões distribuídos entre 2027 e 2028. Além disso, foi criada uma alíquota extraordinária de 0,06%, o que representa um adicional de 50% sobre um imposto anual, gerando cerca de R$ 3 bilhões anuais.
O montante bilionário é necessário para honrar pagamentos de CDBs aos investidores e cobrir empréstimos emergenciais feitos ao Banco Master e ao Will Bank, liquidados em janeiro. A agência Moody’s estima que, apesar do impacto, os desembolsos serão “administráveis” e não representam riscos sistêmicos.
Reforma estrutural em discussão
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu nesta terça-feira (10), na CEO Conference do BTG Pactual, uma reforma estrutural do FGC. “A legislação não se mostrou suficientemente robusta para evitar uma operação como essa, que colocou muita coisa em risco”, afirmou Haddad. O ministro destacou que o Banco Master teve “crescimento exponencial” até 2024, sendo contido após Gabriel Galípolo assumir a presidência do BC.
A implementação do plano do FGC ainda depende de aprovação do Banco Central e do Conselho Monetário Nacional (CMN). A principal receita do regulador é que o custo adicional aos bancos se transforma em aumento do custo do crédito para o consumidor.
O FGC já realizou pagamentos de R$ 36 bilhões a 628 mil credores do Banco Master até 6 de fevereiro, representando 89% dos montantes previstos. Os recursos do fundo cobrem até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. O valor total estimado para os pagamentos é de aproximadamente R$ 40 bilhões. Mais de 90 mil credores ainda não solicitaram o reembolso.
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