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Fitch e S&P rebaixaram Raizen para níveis profundos de grau especulativo por temores de restrição de dívida.

A Raízen SA, produtora brasileira de açúcar e etanol controlada conjuntamente pela Cosan e Shell, contratou os escritórios de advocacia Pinheiro Neto e Cleary Gottlieb como consultores para fortalecer sua posição de liquidez e melhorar sua estrutura de capital, de acordo com um comunicado regulatório confirmado por múltiplas fontes na segunda-feira.

A iniciativa formaliza uma revisão do balanço patrimonial em meio à crescente preocupação dos investidores sobre alavancagem, geração de fluxo de caixa e riscos de financiamento em uma das maiores empresas de distribuição de combustíveis e bioenergia do Brasil. Após o anúncio, as agências de classificação de risco Fitch Ratings e S&P Global Ratings realizaram rebaixamentos consecutivos e acentuados, cortando as classificações de crédito da Raízen para níveis profundos de grau especulativo.

Rebaixamentos Drásticos de Rating Sinalizam Risco de Reestruturação

A S&P rebaixou a Raízen em sete níveis para CCC+ e colocou em CreditWatch Negativo, citando a contratação de avaliadores financeiros como indicativo de “alta probabilidade de restrição da dívida” após o enfraquecimento de sinais das capitalizações e vendas de ativos anteriormente esperados. A Fitch cortou a empresa em cinco níveis, de BBB- para B, citando a “falha dos acionistas em executar um aporte de capital relevante” dentro do prazo previamente estabelecido, desempenho operacional mais fraco que o esperado e uma posição de liquidez “mais necessária”.

“A contratação de assessores financeiros indica a alta probabilidade de reestruturação da dívida, após o enfraquecimento dos sinais das capitalizações e vendas de ativos recentemente esperados”, afirmou a S&P em seu comunicado.

Os títulos da empresa denominados em dólar sofreram perdas severas. De acordo com a Bloomberg, os títulos da Raízen com vencimento em 2037 caíram para aproximadamente 44 centavos de dólar ante mais de 80 centavos há uma semana, elevando os rendimentos acima de 19%.

​Pressões Financeiras se Acumulam

Em novembro passado, a Raízen reportou um prejuízo líquido superior a 2,3 bilhões de reais (US$ 443 milhões) no segundo trimestre da safra de cana 2025-2026, enquanto a líquida dos seis meses encerrados em 30 de setembro atingiu 53,4 bilhões de reais. A S&P projeta uma alavancagem de 5,0x-5,5x para o ano fiscal de 2026, enquanto a Fitch estima que a empresa tenha aproximadamente R$ 10,5 bilhões em dívidas com vencimento nos próximos 18 meses.

“Os resultados recentes mostram que uma estrutura de capital não é sustentável”, disse uma pessoa familiarizada com o assunto à Reuters, acrescentando que a empresa ainda tem algum tempo para tentar uma recuperação.

Em reuniões realizadas na semana passada para tratar das crescentes pressões financeiras, a Raízen e seus consultores discutiram planos potenciais incluindo um deságio da dívida em uma reestruturação, bem como a separação de partes do negócio, uma oferta de ações e um aporte de capital, segundo a Bloomberg. A inquietação do mercado se intensificou em meio a temores de que os dois principais acionistas da Raízen podem não estar investidos a cobrir uma lacuna de financiamento de cerca de US$ 4 bilhões.

A Raízen declarou em seu comunicado que os esforços preliminares não são específicos de quaisquer transações potencialmente acordadas. A empresa está programada para divulgar resultados em 12 de fevereiro.

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