Vorcaro assina termo que abre caminho para delação premiada.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou o tom na quinta-feira (19) ao afirmar que o escândalo do Banco Master é “ovo da serpente” do ex-presidente Jair Bolsonaro e da gestão de Roberto Campos Neto à frente do Banco Central. A declaração foi feita durante o evento que marcou o lançamento da pré-candidatura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao governo de São Paulo, em São Bernardo do Campo.
“Vira e mexe, eles estão tentando empurrar nas costas do PT e do governo esse Banco Master. Esse Banco Master é obra, é ovo da serpente do Bolsonaro e do Roberto Campos, ex-presidente do Banco Central. E nós não deixaremos pedra sobre pedra para apurar tudo o que fizeram dando um golpe de R$ 50 bilhões nesse país”, disse Lula. O presidente argumentou que o banco foi reconhecido por Campos Neto em setembro de 2019 e que “todas as falcatruas foram feitas por ele”.
Estratégia política em meio à delação iminente
A ofensiva de Lula ocorre em um momento delicado para o governo. Segundo a CNN Brasil, a declaração faz parte de uma estratégia para descolar o PT do escândalo, apelidada nos bastidores de “Bolsomaster”. A preocupação se deve a vínculos de setores do partido, especialmente da ala baiana, com Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no banco, o que alcança quadros como o ministro Rui Costa e o senador Jaques Wagner.
A movimentação ganha urgência porque, no mesmo dia 19, Vorcaro assinou um termo de confidencialidade com a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal — primeiro passo formal para uma delação premiada, conforme revelou o Poder360. O ex-banqueiro foi transferido da Penitenciária Federal de Brasília para uma cela na Superintendência da PF por ordem do ministro André Mendonça, relator do caso no STF. Segundo o G1, a defesa de Vorcaro sinalizou que ele “não pretende poupar ninguém” em eventual colaboração.
O rombo e as investigações
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, após a deflagração da Operação Compliance Zero. Daniel Vorcaro foi preso pela segunda vez em 4 de março deste ano, acusado de liderar uma organização criminosa voltada a fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e corrupção de servidores do Banco Central. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 22 bilhões em bens.
As investigações da PF apontam que o esquema envolveu a fabricação de carteiras de crédito sem lastro vendidas ao Banco de Brasília (BRB), causando um rombo estimado em R$ 8 bilhões à instituição pública. O custo total do colapso do conglomerado para o Fundo Garantidor de Créditos é estimado em mais de R$ 50 bilhões, considerando as liquidações do Master, Will Bank, Letsbank e Banco Pleno. O inquérito foi prorrogado por mais 60 dias por Mendonça na última quarta-feira.
Campos Neto não é formalmente investigado até o momento, mas parlamentares já acionaram a PF e a PGR pedindo apuração sobre sua conduta à frente do BC no período em que o Master expandiu suas operações.
#vorcaro #brb #bancomaster





