Finanças

Finanças

Banco central do Brasil pede calma enquanto conflito com Irã gera incerteza sobre corte de juros.

O Banco Central do Brasil está agindo com cautela à medida que o conflito entre EUA-Israel e Irã dispara os preços do petróleo e complica os planos para os tão aguardados cortes de juros do país. O diretor de política monetária Nilton David afirmou na quinta-feira que a instituição adotará uma “abordagem cautelosa” ao avaliar os impactos econômicos, ao mesmo tempo em que pediu calma aos formuladores de políticas.

“É natural presumir que, se os preços do petróleo sobem, isso tem uma característica inflacionária. A questão é: por quanto tempo?” disse David em um evento promovido pelo Goldman Sachs. Ele reconheceu que “os acontecimentos desde então estão sendo considerados em nossas análises”, referindo-se aos desenvolvimentos desde que o banco central sinalizou em janeiro que iniciaria o afrouxamento monetário em sua reunião de 17-18 de março.

​Um Consenso Fragmentado

As declarações vêm em um momento em que o aumento dos preços do petróleo dividiu as expectativas do mercado sobre o tamanho de um corte inicial na taxa de juros. As apostas precificadas na curva de juros do Brasil estão agora divididas entre uma redução de 25 ou 50 pontos-base, segundo a Reuters, depois que os mercados anteriormente esperavam predominantemente o corte maior. O Rio Times reportou que a probabilidade de um corte de 50 pontos-base, que estava em 74% antes dos ataques ao Irã, havia caído consideravelmente.

O comitê de definição de taxas do Brasil, conhecido como Copom, pausou um ciclo agressivo de aperto monetário em julho passado e manteve a taxa básica Selic em 15% — o nível mais alto em quase duas décadas — enquanto trabalha para trazer a inflação, que estava em 4,1% nos 12 meses até meados de fevereiro, de volta à sua meta de 3%.

Preços do Petróleo Trazem Incertezas ao Cenário Econômico

No início desta semana, o Secretário do Tesouro Rogério Ceron afirmou que o próximo ciclo de cortes de juros pode ser mais curto do que o esperado caso o conflito no Irã se prolongue e eleve os preços do petróleo, embora não tenha visto mudanças no plano do banco central para março. Antes do conflito, economistas consultados semanalmente pelo banco central previam sete cortes de juros em 2026, com a Selic encerrando o ano em 12%.

O petróleo Brent subiu acentuadamente desde a escalada do conflito, com o Goldman Sachs elevando sua projeção para o segundo trimestre em US$ 10, para US$ 76 por barril. Ceron alertou que o petróleo acima de US$ 100 por barril “começaria a criar pressão inflacionária real e desencadear outras repercussões”, embora tenha observado que preços de até US$ 85 na verdade beneficiam a posição fiscal do Brasil através de maiores royalties e dividendos da Petrobras.

Eleições Adicionam Mais Uma Camada de Complexidade

David também destacou que as eleições gerais no Brasil em outubro provavelmente trariam maior volatilidade ao mercado até o final do ano, reduzindo a eficácia da política monetária. “Essa camada extra de juros que temos no momento será bastante útil durante esse período”, afirmou.

#bcb #selic #irã

Comments

No comments yet. Why don’t you start the discussion?

    Deixe um comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *