Distrito Federal aprova socorro a banco estatal após prejuízos do Banco Master.

A Câmara Legislativa do Distrito Federal do Brasil aprovou na terça-feira um projeto que autoriza o governo local a socorrer o Banco de Brasília (BRB), seu banco estatal, após pesados prejuízos ligados a negociações com o extinto Banco Master. A votação, que passou por 14 votos a 10 em ambos os turnos, ocorreu após quase 12 horas de lobby a portas fechadas do presidente do BRB e desencadeou imediata retaliação política do governador contra dissidentes de sua base aliada.
Um Banco à Beira do Colapso
O projeto de lei, numerado PL 2.175/2026, autoriza o governo do Distrito Federal a capitalizar o BRB por meio de uma combinação de aportes diretos de capital, venda de bens públicos e um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões (aproximadamente US$ 1,1 bilhão) do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) do Brasil ou de outras instituições financeiras, usando nove imóveis públicos como garantia. A crise do BRB decorre de bilhões de reais em carteiras de crédito que o banco comprou do Banco Master entre 2024 e 2025 — transações que a Polícia Federal sinalizou como irregulares ou sem garantias reais.
O Banco Central do Brasil havia alertado o governo do Distrito Federal que, sem a recapitalização, o BRB corria o risco de violar o Índice de Basileia — o padrão internacional de adequação de capital bancário — o que poderia, em última instância, levar ao fechamento do banco, segundo o R7. O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, disse aos parlamentares durante uma sessão maratona na véspera da votação que o banco “deixaria de existir” sem o resgate, alertando que programas sociais, transporte público, distribuição de medicamentos e empréstimos a servidores públicos, todos operados por meio do BRB, parariam completamente.
O projeto foi aprovado apesar das objeções da própria equipe técnica da assembleia legislativa, que havia recomendado sua rejeição alegando que poderia configurar “dilapidação do patrimônio público”, segundo estudo divulgado pelo G1. Parlamentares da oposição, incluindo membros do PT e PSOL, votaram contra a medida, e alguns indicaram que iriam contestá-la junto ao Ministério Público.
O governador Ibaneis Rocha, do partido MDB, não perdeu tempo em punir aliados que romperam com a base. Em 30 minutos após a votação final, uma edição especial do Diário Oficial do Distrito Federal publicou a exoneração de quatro comissionados ligados a parlamentares que votaram contra, de acordo com o G1. O mais atingido foi o deputado Thiago Manzoni, do partido PL, que perdeu três comissionados. “É política. Ou você está com a coalizão ou não está. Haverá mais”, disse Rocha à TV Globo.
O Que Vem a Seguir
O BRB propôs separadamente um aumento de capital de até R$ 8,86 bilhões por meio de uma nova emissão de ações a R$ 5,29 por ação, que será discutido em assembleia de acionistas no dia 18 de março, segundo a CNN Brasil. O banco pretende ter uma solução implementada até 31 de março, quando divulga seus resultados anuais de 2025 e espera detalhar a extensão total das perdas relacionadas ao caso Banco Master.
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