Ações da M. Dias Branco caem dois dígitos após lucro fraco no 4T25.

A M. Dias Branco registrou lucro líquido de R$ 157,9 milhões no quarto trimestre de 2025, uma retração de 10,5% em relação ao mesmo período de 2024, quando havia lucro de R$ 176,5 milhões. O resultado ficou abaixo das expectativas dos analistas e provocou uma ocorrência negativa imediata no mercado: as ações MDIA3 recuaram mais de 10% na B3 nesta sexta-feira (27), chegando a cair quase 14% na mínima do dia.
Apesar da queda no lucro trimestral, a companhia cearense — líder nacional em massas, biscoitos e granolas — encerrou o ano de 2025 com lucro acumulado de R$ 659,8 milhões, nível alto de 2,1% ante 2024, e receita líquida de R$ 10,4 bilhões, crescimento de 8%.
Margens pressionadas por custos e câmbio
O principal ponto de atenção no balanço foi a variação das margens. O Ebitda do 4T25 totalizou R$ 279,4 milhões, uma queda de 21,4% na comparação anual, com a margem Ebitda recuando de 14,3% para 10,3%. Segundo o relatório de resultados da companhia, a base de comparação foi distorcida por efeitos extraordinários positivos de R$ 79 milhões registrados no 4T24, incluindo reconhecimento de créditos tributários e reversão de provisão de bônus anuais.
A margem brutal também cedeu, pressionada pela alta de 9% no preço do óleo de palma em dólares e pela desvalorização do real, que encareceu insumos importados. As despesas com vendas e administrativas subiram 19,3% no trimestre, em parte pela ausência de provisão de bônus em 2024, o que criou uma base comparativa desfavorável.
Para a XP Investimentos, os resultados ficaram abaixo das projeções de líquido, com o Ebitda 17% abaixo da estimativa da casa e o lucro 28% inferior ao esperado. Segundo o Bradesco BBI, a recomposição do equilíbrio entre volumes, preços e margens segue como o principal desafio da companhia.

Receita e volume em alta, mas o mercado não se convence
Pelo lado comercial, a receita líquida do trimestre atingiu R$ 2,72 bilhões, alta de 9,3%, impulsionada por um crescimento de 10,2% no volume de vendas, que alcançou 475,4 mil toneladas. A companhia também reportou geração de caixa operacional de R$ 1,4 bilhão no ano, alta de 138%, e encerrou dezembro com caixa líquida positiva de R$ 554 milhões.
“Tivemos crescimento de receita em todos os trimestres do ano passado, o que demonstra consistência na execução”, afirmou Gustavo Theodozio, vice-presidente de Controladoria e Relações com Investidores, ao Diário do Nordeste. A empresa também destacou o início das vendas de biscoitos no Uruguai sob a marca Las Acacias, ampliando sua presença internacional. Ainda assim, os volumes maiores não foram suficientes para liberar o mercado, o que segue atento à capacidade da companhia de recompor margens em 2026.
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