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China, Índia e Brasil vendem US$ 145 bi em títulos do Tesouro americano em 12 meses.

Três grandes economias do BRICS — China, Índia e Brasil — venderam coletivamente US$ 144,6 bilhões em títulos do Tesouro americano ao longo dos 12 meses encerrados em dezembro de 2025, segundo os dados mais recentes do Treasury International Capital divulgados pelo Departamento do Tesouro dos EUA em 18 de fevereiro. A venda ocorre enquanto o ING alertou em relatório de 23 de fevereiro que o dólar “perdeu parte de seu status de ativo seguro”, projetando fraqueza contínua para a moeda americana até 2026.

Uma Redução Generalizada

A China liderou a redução, cortando suas reservas em Treasuries em US$ 75,5 bilhões — uma queda de aproximadamente 10% — dando continuidade a uma tendência de uma década de diversificação gradual em relação à dívida do governo dos EUA. A Índia reduziu US$ 36,2 bilhões, uma queda de 18% em relação ao ano anterior, com o Banco da Reserva da Índia usando parte da liquidação de Treasuries para defender a rupia por meio de intervenção cambial. O Brasil reduziu suas reservas em US$ 32,9 bilhões, cerca de 16%, à medida que a economia sul-americana direcionou suas reservas para o ouro.

O ritmo de vendas acelerou no segundo semestre de 2025. Somente em outubro, as três nações despejaram um total combinado de US$ 28,8 bilhões, com a Índia vendendo US$ 12 bilhões, a China US$ 11,8 bilhões e o Brasil US$ 5 bilhões. O ING alertou que, embora os dados mensais de fluxo de Treasuries sejam “inerentemente voláteis”, o declínio constante entre as nações do BRICS se tornou “uma tendência persistente em vez de um ajuste pontual”.

Perspectivas Negativas para o Dólar

A liquidação de títulos do Tesouro coincide com crescentes preocupações sobre a trajetória do dólar. Em um relatório divulgado pela Reuters, o ING observou que o índice do dólar caiu quase 10% em 2025, seu pior desempenho anual desde 2017, pressionado pela política comercial errática dos EUA e ameaças tarifárias. O banco projeta que o EUR/USD atingirá 1,22 até o final de 2026, acima dos cerca de 1,18 atuais, impulsionado pelas expectativas de dois cortes de juros do Federal Reserve, desaceleração do crescimento dos EUA no segundo semestre do ano e melhoria dos dados econômicos da zona do euro.

“A concentração de riscos nos EUA — desde as avaliações de ações até os riscos fiscais e políticos antes das eleições de meio de mandato — significa que os riscos permanecem em baixa para o dólar”, escreveram analistas do ING.

​Mudança Estrutural ou Oscilação Cíclica?

O ING destacou que os investidores privados, que representam mais de 80% das participações estrangeiras em ativos dos EUA, permanecem investidos, e que a fraqueza do dólar neste momento “parece mais cíclica do que estrutural”. O banco não encontrou sinais de desdolarização acelerada ao examinar o papel da moeda em ativos, passivos e transações globais. Ainda assim, o relatório alertou que a independência do Federal Reserve continua sendo “a pedra angular da estabilidade financeira global”, advertindo que se o banco central fosse percebido como cortando as taxas de juros de forma inadequada, “uma corrida contra o dólar” poderia ocorrer.

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