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Zema nega corte de 96% em verba contra chuvas enquanto mortes chegam a 53.

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), rebateu nesta quinta-feira (26) reportagens que apontam uma redução de 96% nos gastos estaduais com prevenção e combate aos impactos das chuvas entre 2023 e 2025. Em publicação nas redes sociais, Zema classificou a informação como “não verdadeira” e afirmou que os investimentos na área cresceram 170% na média anual em relação ao último ano do governo anterior. A controvérsia eclode enquanto temporais na Zona da Mata mineira já deixaram ao menos 53 mortos em Juiz de Fora e Ubá desde segunda-feira (23).

Os dados do Portal da Transparência

O levantamento que originou a polêmica foi publicado pelo jornal O Globo e confirmado pelo g1 com base em dados do Portal da Transparência do estado. O programa “Suporte às ações de combate e resposta aos danos causados pelas chuvas” teve R$ 134,8 milhões pagos em 2023, R$ 41,1 milhões em 2024 e R$ 5,8 milhões em 2025 — uma retração de cerca de 96%. Do valor remanescente em 2025, R$ 5,6 milhões (97%) foram aplicados exclusivamente na mitigação de danos em rodovias, segundo o ClimaInfo. Nos dois primeiros meses de 2026, apenas R$ 16,1 mil haviam sido empenhados no programa.

A pesquisa considerou todas as rubricas orçamentárias que mencionam “chuvas”, incluindo programas vinculados ao Gabinete Militar, responsável pela Defesa Civil. Dados do primeiro mandato de Zema (2019–2022) não estão disponíveis no portal.

A resposta do governo

Zema sustenta que houve “falha na leitura” dos dados e que despesas foram reclassificadas sob novas nomenclaturas ao longo do tempo, o que teria gerado a interpretação de corte. “O levantamento está absolutamente equivocado”, escreveu o governador nas redes sociais. O governo estadual afirmou que os recursos aplicados em prevenção somaram R$ 1,9 bilhão em 2025, o segundo maior valor dos dois mandatos de Zema. Também citou mais de R$ 200 milhões investidos em piscinões na Região Metropolitana de Belo Horizonte e R$ 70 milhões em kits de Defesa Civil distribuídos a mais de 600 municípios.

A administração estadual ainda transferiu parte da responsabilidade às prefeituras, argumentando que, pela Lei Federal 12.608/2012, cabe aos municípios fiscalizar construções irregulares e executar obras de contenção. A versão do governo, porém, não foi acompanhada de detalhamento sobre a composição dos R$ 1,9 bilhão alegados, segundo reportagem do portal Mais Minas.

Tragédia na Zona da Mata e repercussão política

A disputa sobre os números ocorre em meio à maior tragédia climática recente em Minas Gerais. Os temporais que atingem Juiz de Fora e Ubá desde segunda-feira (23) deixaram 53 mortos — 47 em Juiz de Fora e seis em Ubá — com 15 pessoas ainda desaparecidas, conforme balanço do Corpo de Bombeiros na manhã desta quinta-feira. Juiz de Fora registrou 584 milímetros acumulados de chuva em fevereiro, o dobro do esperado para o mês, tornando-o o mais chuvoso da história do município. Mais de 3 mil pessoas estão desabrigadas.

Após a catástrofe, o vice-governador Mateus Simões (PSD) anunciou R$ 38 milhões para Juiz de Fora e R$ 8 milhões para Ubá em recursos emergenciais. A deputada federal Dandara Tonantzin (PT-MG) protocolou representação na Procuradoria-Geral da República pedindo investigação criminal contra Zema por possível “omissão administrativa grave”.

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