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Presidente da Amprev renúncia após operação da PF sobre Banco Master

Jocildo Lemos, presidente da Amapá Previdência (Amprev), pediu exoneração do cargo nesta quarta-feira (11), poucos dias após se tornar alvo de operação da Polícia Federal que apura a aplicação de R$ 400 milhões do fundo previdenciário em Letras Financeiras do Banco Master. A renúncia ocorre num contexto de intensificação das investigações sobre supostas irregularidades em investimentos de fundos de pensão públicos na instituição financeira de Daniel Vorcaro, que foi liquidada pelo Banco Central em novembro de 2025.

Em nota divulgada pela Amprev, Lemos declarou que deixa o cargo “para que a Justiça atue com total independência” e afirmou ter “plena confiança na Justiça e na força dos fatos”, sustentando que todos os procedimentos adotados sob sua gestão “observaram rigorosamente a legalidade”. O gestor também destacou que, durante sua administração, o patrimônio da Amprev cresceu 41% entre 2023 e 2025.

Operação Zona Cinzenta mira gestores da Amprev

Na última sexta-feira (6), a PF deflagrou a Operação Zona Cinzenta em Macapá, cumprindo quatro mandatos de busca e apreensão contra Lemos e dois integrantes do comitê de investimentos da autarquia. Segundo a Polícia Federal, os transportes no Banco Master foram realizados em menos de 20 dias, em julho de 2024, mesmo após alertas técnicos internos sobre os riscos da operação.

De acordo com os documentos da investigação, obtidos pelo jornal O Globo, os gestores deveriam ignorar ofertas de bancos tradicionais como Santander, BTG Pactual e Safra para privilegiar o Banco Master, sob o argumento de que a taxa de retorno seria superior. A PF aponta que Lemos “atuou como a garantia institucional da operação, utilizando sua posição hierárquica para neutralizar as resistências internas da área técnica”.

​Conexões políticas e defesa

Lemos foi nomeado para a presidência da Amprev em 2023 pelo governador Clécio Luís (União Brasil), por indicação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Durante um evento em 2024, Lemos agradeceu publicamente a Alcolumbre “que me chamou para ser o presidente da Previdência do Amapá”. Ele também atuou como tesoureiro da campanha do senador, segundo a Folha de S. Paulo. O nome de Alcolumbre, no entanto, não aparece nas investigações conhecidas até o momento.

A defesa de Lemos contesta as conclusões preliminares da PF e sustenta que o próprio gestor foi prejudicado pelo Banco Master, argumento também defendido pela Amprev. A autarquia informou ter obtido judicialmente o bloqueio de pagamentos à instituição financeira e afirma “se sentir prejudicado pelos maus feitos do Banco Master”.

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