Macron chama acordo UE-Mercosul de “mau negócio” e pede eurobonds.

O presidente francês Emmanuel Macron reafirmou nesta terça-feira (10) sua oposição ao acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, classificando-o como “ruim, antigo e mal negociado”, enquanto fez duras críticas à resposta europeia às políticas comerciais do presidente americano Donald Trump.
Em entrevista concedida a um grupo de jornais europeus, incluindo Le Monde, The Economist e Süddeutsche Zeitung, Macron afirmou que os líderes europeus reagiram com um “alívio covarde” após o pico das declarações comerciais com os Estados Unidos. “Não acreditem nem por um segundo que isso acabou. Todos os dias, todas as semanas, há ameaças”, declarou o líder francês.
Críticas ao acordo com o Mercosul
Macron defendeu que o texto do acordo não garante igualdade de condições para os produtores europeus nem proteção ambiental equivalente entre os blocos. O presidente francês sustentou a adoção de “cláusulas espelho”, que exigiam que os exportadores de fora da UE cumprissem padrões ambientais, sanitários e trabalhistas semelhantes aos exigidos dos produtores europeus.
“Defendo acordos justos, que respeitem o clima e, ao mesmo tempo, garantam aquilo que queremos para a nossa economia”, disse Macron. A França votou contra o acordo quando os Estados-membros da UE aprovaram o pacto em janeiro, ao lado da Irlanda, Polônia e Hungria.
Postura dos EUA e proposta de eurobonds
Macron afirmou que o governo Trump está sendo “abertamente antieuropeu” e buscando o “desmembramento” da UE. O líder francês prevê novos atritos com os Estados Unidos, particularmente sobre a regulação europeia de empresas de tecnologia. “Os EUA certamente nos confrontarão sobre a regulação digital nos próximos meses”, alertou.
Em resposta às pressões externas, Macron defendeu a criação de uma capacidade de endividamento comum na UE através de eurobonds para financiar investimentos estratégicos em transição ecológica, inteligência artificial e tecnologia quântica. “Esta é uma oportunidade única, que também nos permitiria desafiar a hegemonia do dólar”, propôs.
Cúpula sobre
As declarações ocorreram dois dias antes da reunião informal de chefes de Estado e de governo da UE, marcada para quinta-feira (12), em Alden Biesen, na Bélgica, para discutir competitividade. Mario Draghi e Enrico Letta foram convidados para apresentar suas visões sobre o futuro econômico do bloco.
Macron defendeu que a Europa precisa simplificar e aprofundar o seu mercado interno, alertando que “os planos para tornar a Europa mais sóbria não estão progredindo rápido o suficiente”.
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