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Dólar cai para mínima de vários meses em meio a incertezas sobre o Fed.

O dólar americano estendeu sua queda na segunda-feira, caindo para o nível mais baixo em meses, à medida que investidores continuam a reavaliar a trajetória da moeda em meio a crescentes incertezas políticas e dúvidas sobre a independência do Federal Reserve.

O Índice do Dólar caiu para aproximadamente 97 em 9 de fevereiro, marcando um declínio de quase 0,7% em relação ao pregão anterior e continuando uma tendência de baixa que já enfraqueceu a moeda americana em cerca de 2% no último mês. O dólar já perdeu mais de 10% de seu valor nos últimos 12 meses, tornando este um dos seus piores períodos em anos.

Incerteza Política Pesa sobre o Sentimento

A fraqueza do dólar segue a nomeação pelo presidente Donald Trump do ex-governador do Federal Reserve Kevin Warsh como o próximo presidente do Fed, substituindo Jerome Powell quando seu mandato terminar em maio. Embora a nomeação tenha fornecido inicialmente algum suporte ao dólar, estrategistas de moedas permanecem céticos quanto à força sustentada.

Uma pesquisa da Reuters realizada no início de fevereiro constatou que quase todos os 50 entrevistados esperam que o posicionamento líquido vendido em dólar persista, um sentimento mantido desde pelo menos abril do ano passado. “Para a maior parte do ano, incluindo as próximas semanas, esperamos que o dólar exiba volatilidade”, observou Jane Foley do Rabobank, acrescentando que “as preocupações em relação à independência e credibilidade do Fed não foram totalmente resolvidas no mercado”.​

Analistas do Bank of America projetam um declínio adicional de 8% no Índice do Dólar em 2026, citando padrões históricos que mostram que grandes vendas massivas do dólar tendem a ocorrer em anos consecutivos. A Research do Goldman Sachs espera de forma semelhante que o dólar continue enfraquecendo à medida que a demanda por ativos dos EUA diminui.

O secretário do Tesouro Scott Bessent afirmou repetidamente que “os EUA sempre têm uma política de dólar forte”, dizendo ao Congresso que “com políticas sólidas em vigor, o capital fluirá para dentro”. No entanto, observadores do mercado notam que o governo parece confortável com uma moeda mais fraca para abordar os desequilíbrios comerciais.

Fuga para Ativos Refúgio e Erosão da Moeda de Reserva

O dólar caiu mais de 1% em relação ao iene japonês na segunda-feira, com o par USD/JPY recuando para cerca de 155,70. O franco suíço também tem atraído fluxos de ativos refúgio, tendo alcançado anteriormente recordes históricos contra o iene, à medida que investidores buscam alternativas ao dólar.

A trajetória de longo prazo da moeda enfrenta ventos contrários estruturais. De acordo com dados do Fundo Monetário Internacional, a participação do dólar nas reservas cambiais globais caiu para 56,3% no segundo trimestre de 2025, ante mais de 70% na virada do século. Essa é a menor participação em pelo menos três décadas.

O Morgan Stanley observou que os fatores de política dos EUA relacionados à dívida, comércio e sanções “provavelmente serão críticos para determinar a extensão de uma mudança para longe do dólar”, ao mesmo tempo em que destacou que o ouro—atualmente em máximas históricas—emergiu como o “maior concorrente” do dólar, com os bancos centrais estrangeiros agora mantendo mais em ouro do que em títulos do Tesouro dos EUA pela primeira vez desde 1996.​

Como observou um economista da Axios, perder o status de moeda de reserva “afetaria os mercados e a economia”, potencialmente aumentando os custos de empréstimos e reduzindo a influência geopolítica de Washington.

​#dólar #fed #trump

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