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Déficit energético de Cuba se aproxima de 2.000 megawatts em meio ao agravamento da crise.

Cuba confirmou que está trocando mensagens com os Estados Unidos nos mais altos níveis de governo, mesmo enquanto ambos os países apresentam posições bastante distintas sobre o escopo e a finalidade de eventuais conversas. As comunicações ocorrem enquanto Cuba enfrenta o que analistas descrevem como sua pior crise econômica desde a independência, com apagões diários chegando a 20 horas e um déficit elétrico se aproximando de 2.000 megawatts.

O vice-ministro das Relações Exteriores cubano, Carlos Fernández de Cossío, disse à Associated Press e à Reuters no início de fevereiro que, embora “tenhamos trocado mensagens” com os EUA, os dois lados não estabeleceram “uma mesa de diálogo”. “Não estamos falando especificamente sobre negociação ainda”, disse de Cossío. “Isso é outra questão. Estamos abertos ao diálogo. Se pudermos ter um diálogo, talvez isso possa levar a uma negociação”.

O presidente Donald Trump ofereceu uma avaliação mais otimista. “Estamos conversando com pessoas de Cuba, as pessoas mais importantes de Cuba, para ver o que acontece”, disse ele a repórteres em Mar-a-Lago em 1º de fevereiro. “Acho que vamos fechar um acordo com Cuba”.

​Condições e Linhas Vermelhas

O presidente cubano Miguel Díaz-Canel declarou em um pronunciamento televisionado no dia 5 de fevereiro que Cuba está disposta a discutir imigração, segurança, combate ao narcotráfico e cooperação ambiental com Washington, mas apenas “sem pressão, sem pré-condições e em uma posição de respeito mútuo”. De Cossío deixou claro que certos tópicos permanecem inegociáveis: “Não estamos preparados para debater nosso arcabouço constitucional, assim como assumimos que os EUA não estão inclinados a discutir o seu próprio”.

O governo Trump adotou uma postura mais linha-dura. O secretário de Estado Marco Rubio disse aos senadores em janeiro que “adoraríamos ver uma mudança de regime” em Cuba, embora tenha reconhecido que os EUA podem não causar diretamente tal mudança. O governo assinou uma ordem executiva em 29 de janeiro ameaçando com tarifas os países que fornecem petróleo a Cuba, uma medida que autoridades cubanas caracterizaram como um “bloqueio energético”.

Ajuda em Meio à Pressão

O Departamento de Estado anunciou US$ 6 milhões em assistência humanitária no dia 5 de fevereiro, elevando o total de ajuda para US$ 9 milhões desde que o furacão Melissa atingiu o leste de Cuba em outubro. A ajuda está sendo entregue através da Igreja Católica e da Cáritas para evitar interferência do governo.

Parlamentares cubano-americanos no Congresso têm pressionado por medidas mais duras. Os representantes Carlos Giménez, Mario Díaz-Balart e María Elvira Salazar pediram a suspensão de voos comerciais e restrições ao envio de remessas. Giménez reconheceu que tais medidas “podem temporariamente piorar as condições para o povo cubano”, mas argumentou que são necessárias para a transição democrática.

​Ganhando Tempo ou Abertura Genuína?

Analistas sugerem que a aproximação de Cuba reflete suas circunstâncias desesperadoras em vez de uma disposição genuína para fazer concessões. Desde que os EUA capturaram o presidente venezuelano Nicolás Maduro em 3 de janeiro, Cuba perdeu sua principal fonte de petróleo subsidiado. A rede elétrica da ilha sofreu repetidos colapsos parciais, com apagões que excedem 20 horas diárias em algumas regiões.

“Havana está tentando demonstrar boa vontade ao oferecer cooperação contra o terrorismo e a lavagem de dinheiro, mas sem tocar em sua estrutura interna. É uma estratégia de contenção: simular abertura para ganhar tempo”, observou uma análise, sugerindo que Cuba busca reorganizar alianças com a Rússia, China e Irã enquanto previne o colapso total.

A Igreja Católica alertou sobre um possível “caos social” à medida que a crise se aprofunda. No entanto, avaliações da CIA supostamente não oferecem uma conclusão clara sobre se as dificuldades econômicas se traduzirão em instabilidade governamental, segundo a Reuters.

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