Ouro volta a subir acima de US$ 5.000 com tensões EUA-Irã e enfraquecimento do dólar.

O preço do ouro voltou a subir acima da marca psicologicamente importante de US$ 5.000 por onça durante as negociações asiáticas em 9 de fevereiro de 2026, à medida que o aumento das tensões entre os Estados Unidos e o Irã fortaleceu a demanda por ativos de refúgio, enquanto um dólar enfraquecido tornou o metal precioso mais atraente para compradores internacionais.
A recuperação acontece após uma semana turbulenta para os mercados de ouro, que viram os preços oscilarem drasticamente após a indicação de Kevin Warsh por parte do presidente Donald Trump como presidente do Federal Reserve, o que desencadeou uma forte queda no final de janeiro. O ouro à vista estava sendo negociado em torno de US$ 5.018 por onça no início da segunda-feira, recuperando-se de mínimas próximas a US$ 4.450 no início da semana.
Tensões Diplomáticas e Ameaças Tarifárias
A alta do ouro coincidiu com o aumento da incerteza geopolítica após conversações indiretas entre autoridades dos EUA e do Irã em Omã, que foram concluídas em 6 de fevereiro com ambos os lados concordando em continuar as negociações. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, descreveu as discussões como “um bom começo”, mas alertou que a construção de confiança permanecia como o principal obstáculo.
No mesmo dia, Trump assinou uma ordem executiva ameaçando impor tarifas de até 25% sobre países que continuarem comercializando com o Irã, visando o setor de energia de Teerã e seus principais parceiros comerciais, incluindo China, Rússia, Alemanha e Emirados Árabes Unidos. A ordem citou a “busca por capacidades nucleares, apoio ao terrorismo, avanços em mísseis balísticos e desestabilização regional” do Irã.
Araghchi respondeu alertando que o Irã atacaria bases militares americanas na região caso fosse atacado por forças americanas. “Não seria viável atacar território americano, mas vamos focar em suas bases na região”, disse ele à Al Jazeera no sábado.
Demanda dos Bancos Centrais Continua Forte
Apoiando a recuperação do ouro, dados divulgados pelo Banco Popular da China mostraram que o banco central estendeu sua sequência de compras de ouro pelo 15º mês consecutivo em janeiro. As reservas de ouro da China subiram para 74,19 milhões de onças troy, ante 74,15 milhões de onças em dezembro, com o valor monetário das participações subindo para US$ 369,58 bilhões.
Os ETFs globais de ouro também registraram seu mês mais forte de todos os tempos em janeiro, atraindo entradas recordes de US$ 18,7 bilhões, segundo o World Gold Council. O total de ativos sob gestão atingiu um patamar sem precedentes de US$ 669 bilhões, enquanto as participações subiram para 4.145 toneladas. A Ásia liderou a demanda com US$ 9,6 bilhões em entradas, seguida pela América do Norte com US$ 6,8 bilhões.

Perspectiva Segue Volátil
Apesar da recuperação, analistas alertaram que os mercados de ouro permanecem vulneráveis a oscilações bruscas. O metal sofreu sua pior queda em um único dia desde o início dos anos 1980 em 30 de janeiro, quando Trump nomeou Warsh, despencando 16% intradiário antes de se estabilizar. Um dólar americano enfraquecido, que caiu quase 10% desde o início de 2025 segundo a ABC News, continua fornecendo suporte subjacente, embora o Morgan Stanley espere que a moeda americana encontre um piso até meados do ano.
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