Vorcaro transferiu empresa de jatinhos para fundo da Reag antes da prisão.

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, transferiu 55% da Viking Participações, holding patrimonial dona de aeronaves avaliadas em centenas de milhões de reais, para um fundo administrado pela Reag Investimentos em setembro de 2025 — dois meses antes de ser preso pela Polícia Federal no Aeroporto de Guarulhos enquanto tentava embarcar em um de seus jatinhos particulares.
Documentos registrados na Junta Comercial de Minas Gerais mostram que, em 17 de setembro de 2025, Vorcaro cedeu e transferiu a título oneroso mais da metade do capital social da Viking para o Stern Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia. Na mesma operação, ele renunciou ao cargo de administrador da empresa, que passou a ser ocupado por Adriano Garzon Corrêa, um ex-despachante de Nova Lima (MG) que assumiu como gestor não sócio.
Defesa alega venda anterior
Em nota aos veículos de imprensa, a defesa de Vorcaro afirmou que a venda foi realizada ainda em 2024 e que os registros ao longo de 2025 representaram apenas formalizações burocráticas. “Daniel Vorcaro permanece acionista e controlador da Viking. A operação seguiu critérios comerciais regulares”, disse a defesa.
A Viking é proprietária de ao menos três aeronaves, incluindo um Falcon 7X avaliado em R$ 200 milhões, que foi apreendido pela PF após a prisão de Vorcaro. As aquisições das aeronaves ocorreram entre 2022 e 2024 e foram pagas à vista, sem financiamento, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil.
Reag também é investigada
A Reag já era alvo de investigações antes de sua liquidação pelo Banco Central, decretada em janeiro de 2026. A gestora foi um dos alvos da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025 para apurar a atuação do PCC em negócios da economia formal.
Relatório do Banco Central enviado ao Tribunal de Contas da União aponta que parte das fraudes atribuídas ao Banco Master envolve fundos administrados pela Reag Trust, com transações estruturadas que somam R$ 11,5 bilhões. A empresa negou vínculo com o PCC e afirmou colaborar com as investigações.

O Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, mesmo dia em que Vorcaro foi preso. O ex-banqueiro, atualmente em prisão domiciliar, foi novamente alvo de mandados de busca e apreensão em janeiro de 2026 durante a segunda fase da Operação Compliance Zero.
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