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Faturamento da indústria brasileira estagnou em 2025, diz CNI.

O faturamento da indústria de transformação brasileira fechou 2025 com variação de apenas 0,1% em relação ao ano anterior, revelando um cenário de estagnação após um período de forte crescimento. Os dados, divulgados nesta sexta-feira (6) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), apontam que juros elevados, demanda interna fraca e aumento das importações foram os principais responsáveis ​​pelo resultado.

A queda de 1,2% registrada em dezembro foi a quarta em seis meses e reverteu o desempenho positivo observado até meados do ano, quando o faturamento acumulou alta de 5,7% frente ao mesmo período de 2024. A estabilidade acontece em um ano de forte crescimento: em 2024, o faturamento industrial avançou 6,2%, a maior alta em 14 anos.

Juros altos pressionaram o setor

A especialista em Políticas e Indústria da CNI, Larissa Nocko, atribuiu o enfraquecimento da indústria ao elevado patamar da taxa Selic. “O crédito mais caro para empresários e consumidores reduz o ritmo da atividade, cenário agravado pela forte entrada de produtos importados, especialmente bens de consumo, que ocupam parte relevante do mercado interno”, afirmou.

Segundo dados do IBGE divulgados na terça-feira (3), a produção industrial cresceu apenas 0,6% em 2025, bem abaixo da expansão de 3,1% registrada em 2024. O resultado só não foi pior devido ao desempenho da indústria extrativa, que avançou 4,9%, compensando parcialmente a queda de 0,2% da indústria de transformação.

O diretor de Economia da CNI, Mário Sérgio Telles, destacou que a Selic em patamar elevado encareceu o crédito ao setor produtivo. “Em 2024, com a Selic menor, a demanda doméstica por bens da indústria de transformação cresceu quatro vezes mais do que a demanda registrada até novembro de 2025”, apontou.

Emprego e perspectivas

O mercado de trabalho industrial também dá sinais de desaceleração. O emprego no setor caiu 0,2% em dezembro na comparação com novembro, no quarto recuperado mensal consecutivo. A massa salarial real recuperou 2,1% no ano, enquanto o rendimento médio real caiu 3,6%.

As importações avançaram progressivamente para a indústria nacional. As compras de bens de consumo saltaram 15,6%, enquanto as de bens de capital e bens intermediários avançaram 7,8% e 5,6%, respectivamente, capturando parcela relevante do mercado interno.

Para 2026, a expectativa é de recuperação lenta. Segundo análise do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), a manutenção da Selic em patamares elevados não traz boas perspectivas para o setor. O gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, avaliou que os efeitos dos eventuais cortes de juros levarão tempo para serem sentidos, e que a recuperação da indústria não deverá ocorrer antes de 2027.

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